Segundo o filósofo alemão, que participou da Escola de Frankfurt, sendo também um de seus críticos, Hebert Marcuse (1898-1979), a sociedade consumista, derivante das vertentes tecnocratas, torna o homem apenas uma peça numa linha de montagem.
Assim, o homem seria chamado por ele de "unidimensional", ou seja, um individuo fútil que consegue apenas ver as aparências das coisas. Nesse panorama, a máquina e a tecnologia dominam o homem, que por sua vez tem uma visão estereotipada da felicidade. A "felicidade holywoodeana" ou as estórias de novelas das vinte horas, por exemplo, é um modelo à ser desejado pelas massas. O sujeito "seria" feliz porque a mídia lhe diz o que é "ser feliz". Diante desses fatores, não existe liberdade plena, nem valores reais da verdadeira felicidade.
"Felicidade" na sociedade consumista seria o casamento com alguém parecido com o Brad Pitt ou ter uma bela TV LCD na sala de estar.. Dessa forma, o sujeito permanece moldado e condicionado pela Mídia que também faz parte do ambiente tecnológico e seria um veículo considerável da propaganda capitalista..
No entanto, e agora? O que diria Marcuse com a expansiva Globalização cujos focos parecem caminhar para um mesmo centro, que na verdade ainda não sabemos qual é??
Como nos vemos sob a perspectiva, agora, digital?
Será que estamos criando novos excluídos?
A globalização tem faces positivas quando une povos estranhos entre si, quando torna a linguagem acessíveis e comuns. Quando se evoluiu do telégrafo para um teclado de com mouse, também encurtamos distâncias e tivemos a chance de conhecer o que nossos avós morreram apenas desejando...
A tecnologia está nos levando à cabo para além de oceanos. Entretanto, pode realmente estar nos escravizando. É paradoxal, de um lado a liberdade de informação e, porque não dizer, de conhecimento. A escolha pela fonte de informação. Porém, de outro lado, podemos também sofrer condicionamentos. E fica mais uma pergunta: Algum dia, na história, não sofremos condicionamentos? Mesmo na pré-história, existia a "lei do mais forte" e o mais "sábio" se calava e obedecia...E isso provavelmente era o que muitas matriarcas diziam aos seus entes: "- Fica quieto, o outros é mais forte" .
Quanto à uma nova classe de excluídos sociais. Não parece que possa surgir uma "nova classe" pois a classe que não tem computadores atualmente não seria a mesma que também não sabe escrever, é geralmente agrícola e tem, em seu cerne, alta mortalidade infantil por cólera?
Mas, será que as classes sociais ainda se mantém intocáveis?
Particularmente, acredito que o advento da linguagem digital aumentou a possibilidade de encontros interpessoais e estes acabam levando à correntes de saberes diferentes.
Escolas públicas, antes carentes atendendo à um público carente, agora tem PCs e parecem que agilizam suas conquistas pedagógicas.
Todavia ainda não termos a certeza de que iremos encontrar a liberdade e o prazer de sermos nós mesmos..encontrando novos e melhores valores. Ainda há muito consumismo e consumismo humano (até tráfico de pessoas temos)...No entanto, as coisas parecem estar mudando muito, o inventor da famosa "WWW" (World Wide Web Consortium), mais conhecida como "Web" , Tim Berners-Lee, em entrevista aqui no Brasil, afirmou que nada ganhou pelo fabuloso invento mas que ao ver as empresas e pessoas usando, fica muito mais feliz do que se tivesse recebendo uma fortuna. Aliás, ele ainda declarou que ficou imensamente feliz por ter conseguido se manter no trabalho que gosta de fazer..Ao que parece estamos dando sinais de um novo sistema, mais cooperativo que utilitarista, mais consciente de humanismo que tínhamos antes.
http://auladefilosofiacelia.blogspot.com/2009/01/linguagem-digital-o-que-diria-marcuse.html
Poliscivita
POLISCIVITA é um blog que trata da filosofia geral, da filosofia jurídica e da sociologia de forma interdisciplinar. Junte-se a nós com seus comentários pertinentes.
sábado, 3 de dezembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
A HISTÓRIA DE ANITA GARIBALDI
Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais conhecida como Anita Garibaldi, (Morrinhos, Laguna, 1821 — Mandriole, Itália, 4 de agosto de 1849) foi a companheira do revolucionário Giuseppe Garibaldi, sendo conhecida como a "Heroína dos Dois Mundos". Ela é considerada, até hoje, uma das mulheres mais fortes e corajosas da época . Encontra-se na curia metropolitana de Lages o registro dos irmaos mais velhos e os mais novo de Anita, foi retirado do livro a folha do registro de Anita Maria de Jesus Ribeiro. De família modesta, descendente de portugueses imigrados dos Açores à província de Santa Catarina no século XVIII. O pai Benito era comerciante em Lages e casou-se com Maria Antônia de Jesus, com a qual teve seis filhos.
Após a morte do pai, Anita cedo teve que ajudar no sustento familiar, e por insistência materna, casou-se, em 30 de agosto de 1835, aos catorze anos, com Manuel Duarte de Aguiar, na Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna. Depois de somente três anos de matrimônio, o marido alistou-se no exército imperial, abandonando a jovem esposa.
http://www.flickr.com/photos/gutembberg/372401085/
Após a morte do pai, Anita cedo teve que ajudar no sustento familiar, e por insistência materna, casou-se, em 30 de agosto de 1835, aos catorze anos, com Manuel Duarte de Aguiar, na Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna. Depois de somente três anos de matrimônio, o marido alistou-se no exército imperial, abandonando a jovem esposa.
http://www.flickr.com/photos/gutembberg/372401085/
Pedra Filosofal
Quem já não ouviu falar acerca dos respeitáveis filósofos, médicos, químicos e intelectuais que passaram boa parte da sua vida diante de seu laboratório alquímico tentando decifrar o enigma da pedra filosofal, tão comentada nos círculos iniciáticos da Idade Média? Classificavam esse trabalho como sendo a “Grande Obra”, em alusão ao trabalho executado pelo Princípio Criador que resultou na confecção do universo que conhecemos. Em outras palavras, os alquimistas desejavam criar em pequena escala, assim como Deus o faz em grande escala. É nesse sentido que se referiam ao homem como sendo um microcosmo, capaz de refletir, em partes, o potencial criativo do universal (Macrocosmo).
Alguns célebres alquimistas revelaram, em alto e bom tom, que conseguiram a proeza de confeccionar a famosa pedra filosofal, capaz de transformar metais inferiores em ouro. Outros diziam ter descoberto um elixir capaz de curar todas as doenças e prolongar a vida por tempo indeterminado. Sem nos determos a uma discussão infrutífera acerca da confecção da tal pedra em seu aspecto material e grosseiro, vamos direto ao que realmente interessa, que são os resultados alcançados pelos mais célebres alquimistas em seu próprio desenvolvimento espiritual. É difícil analisar aqui em poucas palavras, as vivências, experiências e descobertas que levaram esses homens à conclusão de que o processo de confecção da pedra era mais subjetivo que objetivo. Apenas para uma análise e conclusão superficial do processo de purificação alquímica, analisemos um dos mais importantes “modus operandi “ dos antigos alquimistas em seus laboratórios:
“O alquimista mistura alguns componentes químicos com reagentes e coloca tudo num destilador ou forno alquímico. Inicia-se um processo de destilação e obtém o que se convencionou chamar o "espírito" daqueles mistos. Em seguida, o resultado do produto destilado era novamente juntado aos restos do processo e iniciava-se o trabalho de purificação por inúmeras vezes. Dessa forma, agindo paciente e insistentemente nesse trabalho árduo, onde era necessário, a todo tempo, controlar a temperatura do forno, o alquimista entrava inconscientemente, em estado de contemplação meditativa, onde alcançava uma elevação de seu ser. Depois de anos de persistência, o alquimista descobria que tentando purificar os materiais, acabava purificando-se e melhorando sua própria personalidade. E, mudando sua personalidade para melhor, notava que tudo à sua volta mudava, haja vista que o preceito hermético prescrito numa esmeralda por Hermes estava certo. “Tudo o que está em cima é como o que está embaixo”. Então, o alquimista descobria, também, com imensa alegria, que tudo o que estava fora era como o que estava dentro dele. Refletia como um espelho, no mundo exterior, as melhorias sensíveis em sua personalidade. Descobria assim, que era possível a transmutação dos metais, não apenas no seu aspecto físico, mas, principalmente, no seu aspecto espiritual, já que acreditava que os minerais também possuíam, por assim dizer, um “espírito”. Na maioria das vezes, quando chegava a essa conclusão magnífica, o alquimista abandonava, de fato, a busca pelo processo de transmutação dos metais em ouro, já que havia descoberto um tesouro interior que ofuscava o brilho de qualquer tesouro profano.
Como vemos, a descoberta da pedra filosofal, como o próprio nome já diz, consiste no conhecimento e reconhecimento dos segredos da sabedoria universal. Mais do que nunca, o alquimista espiritualizado torna-se consciente de sua capacidade de criar e modificar a natureza assim como Deus, já que fora, desde os tempos antigos, caracterizado como sendo criado à imagem e semelhança Daquele. Entretanto, a partir da nova descoberta da pedra filosofal, torna-se capaz de dirigir de forma consciente a sua vontade que é o verdadeiro instrumento da transmutação e da criação de todas as coisas. Eis o segredo da pedra filosofal dos alquimistas. Esse é o poder capaz de elevar o homem à capacidade de criar, assim como Deus, através da vontade firme, persistente e inquebrantável, que pode também ser caracterizada pelos místicos como “fé”, com que tudo é possível. A televisão, o rádio, o computador e todos os inventos que conhecemos surgiram desse processo alquímico de produção que é a mente humana. Eis o verdadeiro forno alquímico capaz de processar as maiores transmutações, através da correta utilização do fogo do desejo e da vontade e que é mantido ativo pela energia da fé. Tudo é possível ao que crê, já dizia Jesus, o maior alquimista de todos os tempos que, agindo em sintonia com o princípio criador universal, fora capaz de transmutar água em vinho para alegrar uma festa.
Há uma grande variedade de textos alquímicos, hoje, à disposição na própria “Internet”. Bons sites e livros excelentes à venda sobre o tema. É necessário, contudo, saber de antemão que o caminho é árduo, cheio de espinhos e armadilhas no início, no meio e... no fim? Ninguém sabe quando, nem onde... Ainda bem!
http://www.acasadoaprendiz.com.br/pedrafilosofal.html
Alguns célebres alquimistas revelaram, em alto e bom tom, que conseguiram a proeza de confeccionar a famosa pedra filosofal, capaz de transformar metais inferiores em ouro. Outros diziam ter descoberto um elixir capaz de curar todas as doenças e prolongar a vida por tempo indeterminado. Sem nos determos a uma discussão infrutífera acerca da confecção da tal pedra em seu aspecto material e grosseiro, vamos direto ao que realmente interessa, que são os resultados alcançados pelos mais célebres alquimistas em seu próprio desenvolvimento espiritual. É difícil analisar aqui em poucas palavras, as vivências, experiências e descobertas que levaram esses homens à conclusão de que o processo de confecção da pedra era mais subjetivo que objetivo. Apenas para uma análise e conclusão superficial do processo de purificação alquímica, analisemos um dos mais importantes “modus operandi “ dos antigos alquimistas em seus laboratórios:
“O alquimista mistura alguns componentes químicos com reagentes e coloca tudo num destilador ou forno alquímico. Inicia-se um processo de destilação e obtém o que se convencionou chamar o "espírito" daqueles mistos. Em seguida, o resultado do produto destilado era novamente juntado aos restos do processo e iniciava-se o trabalho de purificação por inúmeras vezes. Dessa forma, agindo paciente e insistentemente nesse trabalho árduo, onde era necessário, a todo tempo, controlar a temperatura do forno, o alquimista entrava inconscientemente, em estado de contemplação meditativa, onde alcançava uma elevação de seu ser. Depois de anos de persistência, o alquimista descobria que tentando purificar os materiais, acabava purificando-se e melhorando sua própria personalidade. E, mudando sua personalidade para melhor, notava que tudo à sua volta mudava, haja vista que o preceito hermético prescrito numa esmeralda por Hermes estava certo. “Tudo o que está em cima é como o que está embaixo”. Então, o alquimista descobria, também, com imensa alegria, que tudo o que estava fora era como o que estava dentro dele. Refletia como um espelho, no mundo exterior, as melhorias sensíveis em sua personalidade. Descobria assim, que era possível a transmutação dos metais, não apenas no seu aspecto físico, mas, principalmente, no seu aspecto espiritual, já que acreditava que os minerais também possuíam, por assim dizer, um “espírito”. Na maioria das vezes, quando chegava a essa conclusão magnífica, o alquimista abandonava, de fato, a busca pelo processo de transmutação dos metais em ouro, já que havia descoberto um tesouro interior que ofuscava o brilho de qualquer tesouro profano.
Como vemos, a descoberta da pedra filosofal, como o próprio nome já diz, consiste no conhecimento e reconhecimento dos segredos da sabedoria universal. Mais do que nunca, o alquimista espiritualizado torna-se consciente de sua capacidade de criar e modificar a natureza assim como Deus, já que fora, desde os tempos antigos, caracterizado como sendo criado à imagem e semelhança Daquele. Entretanto, a partir da nova descoberta da pedra filosofal, torna-se capaz de dirigir de forma consciente a sua vontade que é o verdadeiro instrumento da transmutação e da criação de todas as coisas. Eis o segredo da pedra filosofal dos alquimistas. Esse é o poder capaz de elevar o homem à capacidade de criar, assim como Deus, através da vontade firme, persistente e inquebrantável, que pode também ser caracterizada pelos místicos como “fé”, com que tudo é possível. A televisão, o rádio, o computador e todos os inventos que conhecemos surgiram desse processo alquímico de produção que é a mente humana. Eis o verdadeiro forno alquímico capaz de processar as maiores transmutações, através da correta utilização do fogo do desejo e da vontade e que é mantido ativo pela energia da fé. Tudo é possível ao que crê, já dizia Jesus, o maior alquimista de todos os tempos que, agindo em sintonia com o princípio criador universal, fora capaz de transmutar água em vinho para alegrar uma festa.
Há uma grande variedade de textos alquímicos, hoje, à disposição na própria “Internet”. Bons sites e livros excelentes à venda sobre o tema. É necessário, contudo, saber de antemão que o caminho é árduo, cheio de espinhos e armadilhas no início, no meio e... no fim? Ninguém sabe quando, nem onde... Ainda bem!
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sábado, 6 de agosto de 2011
FILOSOFIA MODERNA
Uma caminhada das trevas à luz?
Português: Um breve relato de algumas das características principais da Filosofia Moderna e Iluminismo e a ótica desses do homem e da sociedade, questionando a realidade da afirmação que a modernidade de fato seja um trajeto da humanidade das trevas à luz. Palavras-chave: Modernidade, Iluminismo, razão, perfectibilidade, liberdade, homem, sociedade.
English: A brief description of some of the principal characteristics Modern Philosophy (modernity) and the Enlightenment period and their vision of man and society, questioning the reality of the affirmation that modernity demonstrates in fact the passage of humanity from darkness to light. Keywords: Modernity, enlightenment, reason, perfectibility, liberty, man, society.
1. Introdução:
Os primeiros pontos de luz nas trevas do pensar livre, provocados pela rendição da razão à soberania da fé durante a chamada idade média, são percebidos nas obras de pensadores como Copérnico[1] que, em sua defesa e interpretação da teoria heliocêntrica provocou uma verdadeira revolução. O deslocamento da terra, obra prima do Deus criador, do centro do universo significou que o homem, tido como o supremo ato da criação, deixou também de ocupar seu lugar de criatura sujeito aos caprichos desse Deus.Da mesma forma que Sócrates, Platão e Aristóteles antes deles os filósofos da modernidade chamaram para o âmbito da inteligência e capacidade humana a tarefa de pensar o mundo!
Os historiadores afirmam que o renascimento nos séculos XIV e XV marcado pela redescoberta da arte e literatura grega, o humanismo com sua ênfase no temporal e o consequente colocação do homem no centro da realidade, o repensar da política e estilo de governo marcado pelas obras do Maquiavel[2], o estudo científico e a Filosofia Moderna com sua ênfase do poder racional do homem, sinalizaram um retorno às raízes do pensamento racional e a morte do poder de controle do astrólogo, do mago e da igreja sobre o conhecimento. A sabedoria (o conhecimento) não é mais visto como algo sagrada e mística além da compreensão do homem comum; através do pensar, do raciocinar o homem é capaz de traçar seu próprio destino e caminhar rumo ao conhecimento.No presente texto serão apresentadas características dessa época da jornada humana, será que é de fato uma viagem das trevas à luz ou pode ser considerado o curso natural das coisas à luz do crescer do conhecimento humano?
2. Características gerais da filosofia moderna.
A filosofia da idade moderna nasceu graças aos trabalhos dos protagonistas do renascimento cultural e científico dos séculos XIV e XV entre eles Nicolau Copérnico, Leonardo da Vinci[3], e dos esforços de cientistas e pensadores como Galileu Galilei[4], Francis Bacon[5], René Descartes[6] e Emanuel Kant[7] nos séculos seguintes e tem entre suas características:-
a) O Racionalismo
A filosofia moderna propriamente falando iniciou-se com a teoria do conhecimento do René Descartes. Conhecido como pai da filosofia moderna, parece que ele levou muito a sério as palavras do Leonardo Da Vinci que diz "Quem pouca pensa, muito erra."! [8] Na Idade Média, na sociedade e na política a Palavra de Deus, considerada fonte única do conhecimento absoluto, foi interpretada pela igreja que dominava todos os aspectos da vida. O renascimento trouxe uma ênfase renovada no desenvolvimento científico e na capacidade humana e a necessidade de uma nova definição do ser humano e seu lugar no mundo. Na modernidade a chamada Idade da Razão então, surgiu à necessidade de redefinir os paradigmas, Descartes na declaração, "penso logo existo", descrito pelo Prof. Wesley Dourado na palestra "Aspectos Gerais da Filosofia Moderna" [9] sobre as como um "ponto arquemédico [...] a verdade inicial da qual se poderá constituir outras verdades" iniciou esse processo. Ele declara que o homem, ser racional por natureza, tem a capacidade de alcançar o conhecimento e mais que isso, sua existência é definida pelo ato de pensar.
Por entender ser possível chegar ao pleno conhecimento através do processo de pensamento racional, Descartes, idealizou um processo de dúvida metódica pelo qual através da rejeição (eliminação) de pensamentos ou ideias em que resida a menor dúvida o homem seria capaz de alcançar o conhecimento. As obras do Descartes formaram a base sobre qual os racionalistas desenvolveram seus processos.
b) O Empirismo
Quando Leonardo Da Vinci afirma que "A sabedoria é filha da experiência" (ABBAGNANO, §388) ele de fato resume em poucas palavras a crença dos empiristas ingleses cujo trabalho antecedeu por quase um século. Francis Bacon, John Locke[10], David Hume[11] e outros pensadores contra posição aos racionalistas do continente europeu desenvolveram e propagavam o raciocínio experimental, ou seja, a teoria de que o único caminho pelo qual o homem pode chegar ao conhecimento é através da experiência sensível (empírica). Marlene Chauí explica que Francis Bacon "propõe a instauração de um método, definido como modo seguro de 'aplicar a razão à experiência', isto é, de aplicar o pensamento lógico aos dados oferecidos pelo conhecimento sensível". (2006 – p.126)
Marlene Chauí afirma que para os empiristas o contato com o mundo externo através de um conjunto de sensações (através dos sentidos) leva a um processo de dedução que possibilita o conhecimento, "O conhecimento é obtido por soma e associação das sensações na percepção e tal soma e associação dependem da freqüência, da repetição e da sucessão dos estímulos externos e de nossos hábitos". (2006 – p.133) Um fator marcante da modernidade é a separação entre a Filosofia e a Ciência empírica. A ciência moderna, dependente nas experiências desenvolvidas em situações controladas, é empírica por natureza, contrastando-se com o pensamento do Aristóteles que percebia a Metafísica como ciência primeira.
c) A perfectibilidade.
Os precursores da filosofia moderna entre eles Leonardo da Vinci, Copérnico e Galileu acreditaram na perfectibilidade da natureza e defenderam a teoria da perfectibilidade da razão humana. Iniciou-se uma "busca por expressar, entender, explicar pela razão perfeita a natureza perfeita" [12] A ciência renascentista entendeu que pelo fato que Deus criou a natureza é possível conhecer Deus através da natureza e, portanto, produzir conhecimento.
Em sua epistemologia Immanuel Kant sintetizou as teorias do Descartes e os racionalistas continentais e Hume e os empiristas ingleses.
O processo de racionalização, característico da Modernidade, que começara com os renascentistas e com os cientistas, e passara por Descartes e pelos empiristas, podia agora, ser compreendido por Kant como um processo que representava o curso natural da evolução da sociedade. Finalmente o ser o humano estava apto para raciocinar sobre a própria razão. (UMESP 2009 – p.11)
Leonardo da Vinci via nas formas perfeitas da matemática uma maneira de ilustrar a perfeição do corpo humano (o homem vitruviano) e assim tomou o curso da teoria da perfectibilidade. Kant, por sua vez, via na possibilidade do homem chegar à perfeição um processo natural de desenvolvimento rumo ao esclarecimento (Aufklãrung), um processo evolução pela qual o homem atinge sua maioridade, processo que depende não de condições externas, mas, na vontade do homem, só não tem condições de alcançar essa independência os preguiçosos que escolhem permanecer na minoridade sob a tutela intelectual de terceiros.
Embora enfatizando e dando destaque alto à razão e a perfectibilidade humana, Kant e outros filósofos modernos não fizeram nenhuma ruptura dramática dos valores religiosos da idade média. Essa ruptura veio com os Iluministas franceses como Voltaire e Diderot que produziram obras laicas e seculares e, por vezes extremamente críticas da ação de igreja e sua influência opressiva na sociedade e interferência no governo.
3. Características gerais do iluminismo
Danilo Marcondes em sua Introdução à História da Filosofia oferece a seguinte síntese do Iluminismo[13], ou Século das Luzes um movimento do pensamento europeu (mais forte na França) concentrado principalmente nos últimas cinco décadas do século XVIII - "O Iluminismo valorizou o conhecimento como instrumento de libertação e progresso da humanidade, levando o homem à sua autonomia e a sociedade à democracia, ou seja, ao fim da opressão." (2007. p.210). Tomando de base suas palavras, o iluminismo como movimento dentro da modernidade, mantendo a ênfase na racionalidade, tem características próprias tais como:
a) Liberdade e o fim da opressão.
"a liberdade é condição para que a sociedade siga seu curso natural rumo ao Esclarecimento" (UMESP, 2009 – p.11). A liberdade no pensamento iluminista é a liberdade da qual Kant escreveu em sua resposta a pergunta O que é o Esclarecimento?
Esse esclarecimento não exige todavia nada mais que a liberdade; e mesmo a mais inofensiva de todas as liberdades, isto é, a de fazer um uso público de sua razão em todos os domínios [...] Em toda parte só se vê limitação da liberdade [...] o uso público da nossa razão deve a todo momento ser livre, e somente ele pode difundir o Esclarecimento entre os homens (KANT - p.3).
O pensamento iluminista influenciou os grupos responsáveis por movimentos de libertação no século XVIII, seu efeito foi sentido de maneira muito particular na França e foi um dos fatores catalisadores da Revolução Francesa. A burguesia, educado e gerador de riqueza se via presa sobre o jugo da aristocracia, da monarquia absolutista e da igreja dominantes desde a Idade Média, obrigada a pagar impostos para manter o luxo de poucos ansiava por uma sociedade livre. Achou aliados prontos lutar entre as massas paupérrimas de Paris se levantou em revolta contra a opressão pelo direito de ter liberdade de escolha sobre o curso da própria vida e uma voz no governo do país que ajudou a enriquecer. Voltaire[14] que criticou o absolutismo da monarquia, o poder da igreja e sua interferência no sistema político e influenciou muito o movimento da revolução acreditava que sem liberdade de pensamentos não existe liberdade.
b) Vulgarização da Filosofia e a literatura clandestina.
Autores do Iluminismo francês como Voltaire e Diderot[15], entenderam a vulgarização (popularização) da filosofia e do conhecimento essenciais para o desenvolvimento do homem e, portanto, da sociedade. O conhecimento e principalmente o pensamento iluminista permeavam a sociedade na forma de contos, poesias e ensaios. Os membros da burguesia (novo classe media) francesa que tinha acesso à educação se interessavam em se esclarecer e questionavam a o poder da aristocracia foram os principais leitores desse material.
As publicações, muitas escritas na clandestinidade sob pseudônimos, que espalhavam críticas à igreja, à aristocracia e incentivava o questionamento do absolutismo, foram consideradas subversivas[16], condenadas e, os autores caçados. Voltaire pertencia a uma família nobre fato que lhe dava acesso à aristocracia que criticava, mas, diferentemente a muitos de sua época ele acreditava que o esclarecimento levaria a própria aristocracia a desejar uma sociedade mais justa. Escritor popular, Voltaire escreveu um grande número de contos e usava bem esse recurso literário na divulgação de seu pensamento filosófico, o uso de tom irônico e polêmico atraiu os leitores e irritou as autoridades, a fim de evitar prisão (em comum com os filósofos clandestinos da época) publicou vários de suas obras anonimamente ou sob outros pseudônimos.
c) O Projeto dos Enciclopedistas
Como parte do processo de esclarecimento, os iluministas buscaram disponibilizar a população o conhecimento por tanto tempo controlado exclusivamente pelos doutores[17]. Com o alvo de reunir todo o conhecimento disponível e apresentar à sociedade uma versão perfeito e final, Diderot e d'Alembert[18] publicaram as obras dos melhores autores na "Enciclopédia ou Dicionário lógico das ciências, artes e ofícios" [19], nesse projeto ambicioso "Todo esforço fora realizado sem se perder de vista o objetivo de vulgarização do conhecimento" (UMESP – p.15).
4. A compreensão de ser humano e de sociedade no Iluminismo.
A disponibilização do conhecimento é indicativa do fato de que, no Iluminismo, o progresso (do ser humano e da sociedade) é determinado pela razão através da qual o homem[20] caminha rumo ao conhecimento e os descobertos científicos alcançados tanto pela aplicação da razão como pela experiência empírica. Esses fatos são resultados de, e exercem influencia sobre os conceitos do ser humano e da sociedade mantidos pelos filósofos modernos do Iluminismo.
Nas obras dos iluministas há um retorno aos conceitos da antiguidade e o renovo e repensar desses. Filósofos como Rousseau[21] por exemplo, reformularam os conceitos platônicos e aristotélicos da pólis grega, da participação de todos os cidadãos na política para criar a base da nova sociedade. Em sua obra principal, Do Contrato Social, Rousseau "Afirma [...] que a sociedade funciona como um pacto social, onde os indivíduos, organizados em sociedade, concedem alguns direitos ao Estado em troca de proteção e organização." [22] Tomando como base a afirmação do filosofo alguns das características principais da compreensão do ser humano e da sociedade nessa época são:
a) No homem a perfeição, a autonomia racional e a liberdade natural. .
De acordo com Danilo Marcondes uma das características fundamentais da filosofia do Iluminismo em relação ao homem é "o individualismo que se baseia na existência do indivíduo livre e autônomo, consistente e capaz de se autodeterminar" (2007- p.208). O homem que de acordo com Rousseau nasce bom é visto no como livre, autônomo, dono de si e capaz de se traçar seu próprio destino.
No primeiro capítulo Do Contrato Social, Rousseau declara "O homem nasce bom, a sociedade corrompe". A ideia da perfeição natural do homem apresenta um contraste ao conceito da perfectibilidade do homem de outros filósofos modernos que viam a humanidade num caminhar rumo (um progresso racional) à perfeição e um contraste maior aos iluministas franceses que na maioria afirmaram que o homem, embora, nasceu imperfeito, alcançou a perfeição com o advento das ciências e a abertura do conhecimento.
Em seguida Rousseau declara que "o homem nasce livre e por toda parte se encontra acorrentada". A liberdade natural do homem no pensamento do Rousseau, embora negada historicamente pela ação opressiva da igreja ou do estado, não pode ser retirada, as condições na qual o homem vive podem o acorrentar, mas não muda o fato que nasceu livre!
Nesse tema Marcondes escreve "O grande instrumento do Iluminismo é a consciência individual, autônoma em sua capacidade de conhecer o real" ele percebe em todo o processo do iluminismo a atribuição ao "conhecimento a capacidade de, precisamente, libertaro homem dos grilhões que lhe são impostos pela ignorância e pela superstição, tornando-as facilmente domináveis" afirmando que "O pressuposto básico do Iluminismo afirma, portanto, que todos os homens são dotados de uma espécie de luz natural, de uma racionalidade, uma capacidade natural de aprender, capaz de permitir que conheçam o real e ajam livre e adequadamente para a realização de seus fins." (2007 – p.207)
Kant no prefácio à 1ª Edição da Critica da razão pura [23] dá sua resposta a pergunta: O que impede o homem de obter o conhecimento que necessita?
Nossa época é propriamente a época da crítica, à qual tudo tem de submeter-se. A religião por sua santidade, e a legislação, por sua majestade, querem comumente esquivar-se dela. Mas desse modo suscitam justa suspeita contra si e não podem ter pretensões àquele respeito sem disfarce que a razão outorga àquilo que foi capaz de sustentar seu exame livre e público. (Kant CRP - Apud. Marcondes – 2007 p.207-208).
É justamente o "exame livre e público" do conhecimento disponível proposta pelos iluministas francesas que é garantem a liberdade e autonomia do homem rumo à perfeição e, portanto, a construção de uma sociedade baseada na liberdade e na igualdade.
b) Na sociedade, a moral, a igualdade, a liberdade e a autonomia individual.
Para Kant a sociedade composta de homens esclarecidos abre a possibilidade da criação de uma sociedade moral baseada no livre e irrestrito uso da razão na esfera publica "o uso público da nossa razão deve a todo momento ser livre, e somente ele pode difundir o Esclarecimento entre os homens" (Kant – p3). Para Kant, não pagar impostos para não concordar com os mesmos, ou agir de qualquer forma contra a ordem da sociedade pode ser considerada crime e, até sujeitar o homem a uma punição, mas, não lhe tire o direito de uma opinião particular (o uso da razão privada), mas isso deve ser restrita a manifestações eruditas em momento oportuno e não ser motivo de escândalo público. Da mesma forma um soldado pode não concordar com as razões que provocaram a batalha na qual esteja lutando, mas, no momento da batalha ele deve suspender temporariamente sua razão pessoal e obedecer a seu comandante em nome da razão pública (coletiva).
Enquanto Kant respondia que a humanidade vivia num a época de esclarecimento.
Quando se pergunta, portanto; vivemos atualmente numa época esclarecida? A resposta é: não, mas numa época de esclarecimento. Muito falta ainda para que os homens, no estado atual das coisas, tomados conjuntamente, estejam já num ponto em que possam estar em condições de se servir, em matéria de religião, com segurança e êxito, de seu próprio entendimento sem a tutela de outrem. Mas que desde já, o campo lhes esteja aberto para mover-se livremente, e que os obstáculos à generalização do Esclarecimento e à saída da minoridade que lhes é auto-imputável sejam cada vez menos numerosos, é o que temos signos evidentes para crer (Kant –p.7).
Rousseau e os iluministas franceses eram da opinião que a humanidade já possuía todo o conhecimento necessário para a constituição de uma sociedade perfeita. Junto com a noção da perfectibilidade do homem chegava à certeza do sucesso do desenvolvimento social e científico da sociedade. Embora partindo de pontos diferentes os iluministas franceses e Rousseau, visavam o mesmo resultado o homem livre vivendo numa sociedade livre da opressão.
Enquanto a maioria dos pensadores iluministas afirmou o homem esclarecido através da filosofia, da ciência, e da educação que foram dadas a tarefa de remover os obstáculos (fato confirmado nas obras de Voltaire e Diderot), pronto para transformar a sociedade, Kant falava de um processo de esclarecimento e Rousseau afirmava que a criança nasce boa, mas é corrompida pela sociedade, para ele a resposta para o aperfeiçoamento da sociedade, proposta no livro Emílio, é coisa do futuro é também um processo. A resposta é o isolamento das crianças para educação e a reinserção delas na sociedade na fase adulto, somente elas terão alcançado a perfeição necessária para mudar a sociedade.
5. Conclusão:
A filosofia moderna coloca a razão, sujeito a exigências da fé na idade média, em liberdade e por fim à dependência do ser humano possibilitando seu esclarecimento, colocando o conhecimento ao seu alcance. Representa (na Europa ocidental) uma retomada do pensamento da antiguidade e libertação do conhecimento do controle da igreja poderosa dispensadora da graça divina na idade média.
Embora represente um retorno do pensamento racional à supremacia, e, em particular um novo olhar ao pensamento platônico, a filosofia moderna em declarar que o conhecimento é acessível e alcançável a todos e não faz separação entre o mundo sensível das coisas e o mundo intangível das ideias. Na antiguidade Platão e Aristóteles visaram à formação de uma sociedade perfeita e feliz através da ação conjunta em prol do bem comum (ação política) na polis. Os habitantes da pólis foram considerados homens esclarecidos, esse esclarecimento foi reservado apenas os cidadãos gregos, não foram incluídos as mulheres, as classes trabalhadoras e muito menos os escravos. A filosofia moderna e o iluminismo não restringiam o conhecimento a uma elite social, religiosa ou intelectual, o colocaram ao alcance de todos que desejavam sair da minoridade, da dependência do tutelar de outros. A sociedade moderna (perfeita) seria o resultado do esclarecimento de todos.
Finalizei a introdução desse texto perguntando se essa época da jornada humana pode ser considerada de fato, como interpretada posteriormente pelos historiadores, uma viagem das trevas à luz ou deve ser interpretado como curso natural das coisas à luz do crescer do conhecimento humano?Estou da opinião que a interpretação retrospectiva é falível, porque sempre apresenta a coloração da opinião pessoal do interprete e a própria história nos mostra que, mesmo com todo o esclarecimento da idade moderna a sociedade está longe de romper todas as trevas da ignorância e da opressão. Mesmo não considerando a passagem um rompimento radical, é claro que os efeitos na caminhada do ser humano rumo ao conhecimento pleno foram grandes. Para mim, os pensadores modernos, os radicais iluministas fizeram sua parte da caminhada da humanidade, são responsáveis em grande parte pelo despertar política na Europa, o desenvolvimento científico e principalmente por disponibilizar a população em geral, conhecimento ora restrito aos eruditos.
Referências Bibliográficas:
1.ABBAGNANO, Nicola – História da Filosofia, vol. VI. Lisboa -1970: Editorial Presença. Versão eletrônica:
http://www.4shared.com/file/41469479/2b8af9b8/Nicola_Abbagnano_-_Historia da filosofia_06.html – Acesso em 31.08.2009.
2.CHAUÍ, Marilena Convite à Filosofia –Editora Ática -13ª ed. 2006.
3.Dados biográficos -
http://www.suapesquisa.com - acesso em 06/09/2009 e 13/09/2009
http://www.mundodosfilosofos.com.br - acesso em 06/09/2009
http://educacao.uol.com.br/biografias - acesso em 07/09/2009
http://www.e-escola.pt/personalidades - acesso em 07/09/2009
4.KANT, Immanuel – Resposta à pergunta: O que é o Esclarecimento? – Tradução – Luiz P. Rouanet. Disponível em http://br.geocities.com/eticaejustica/esclarecimento.pdf - Acesso em 06/09/2009
5.MARCONDES, Daniel – Iniciação à História da Filosofia – Rio de Janeiro – Editora Jorge Zahar 11º Ed. – 2007.
6.PANSARELLI, Daniel et. al. – Conhecimento e Metafísica: do Iluminismo à Atualidade: Leitura de Filosofia. – São Bernardo do Campo, UMESP – 2009.
[1] (1473-1543) Nicolau Copérnico nasceu em Torun, Polônia, estudou em Cracóvia, Bolhonha, Pádua e Ferrara laureando se em direto canônico em 1503. Obra mais importante De revolutionibus orbium coelestrim.
[2] Principalmente na obra O Príncipe.
[3] (1452-1519) Artista italiano, filho ilegítimo de Pedro da Vinci com uma camponesa chamada Caterina, Leonardo Da Vinci foi um dos mais importantes pintores doRenascimentoCultural e passou seus últimos anos na França numa casa cedida pelo rei Francisco I. É considerado um gênio, pois se mostrou um excelente anatomista, engenheiro, matemático músico, naturalista,arquiteto, inventor e escultor. Seus trabalhos e projetos científicos foram registrados, muitas vezes em código, em livros de anotações, e foi como artista que conseguiu o reconhecimento e o prestígio das pessoas de sua época.
[4] Grande Físico,Matemáticoe Astrônomo, Galileu Galilei nasceu na Itália no ano de 1564. Durante sua juventude ele escreveu obras sobreDantee Tasso.Descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da Inércia. Foi um dos principais representantes doRenascimentoCientífico dos séculos XVI e XVII.
[5] (1561-1626) Francisco Bacon o iniciador do Empirismo inglês nasceu numa família que servia a família real, eu pai sendo tutor chefe do jovem Edward VI. Bacon estudou em Cambridge e Paris e iniciou carreira como político e jurista no reinado da Elizabeth I. Sua posição filosófica apelou para a metafísica tradicional, grega e escolástica, aristotélica e tomista.
[6] (1596-1650) René Descartes nasceu em La Haye, França e estudou no então famoso colégio jesuita La Fleche. Decepcionou-se com a Filosofia Escolástica que não o levava a nenhuma verdade indiscutível "Não encontramos aí nenhuma coisa sobre a qual não se dispute". Só nas matemáticas encontrou as verdades absolutas: "As matemáticas agradavam-me sobretudo por causa da certeza e da evidência de seus raciocínios". Dedicou-se na aplicação do mesmo rigor ao pensamento racional e desenvolveu seu próprio método científico a ser aplicado para provar a veracidade dos fatos apresentados.
[7] (1724-1804) Filosofo alemão, Immanuel Kant, nasceu e morreu na cidade de Königsberg. Depois de um longo período como professor secundário, começou em 1755 a carreira universitária ensinando Ciências Naturais. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da universidade de Königsberg, levando uma vida dedicada aos estudos filosóficos. Realizou numerosos trabalhos sobre ciência, física, matemática, etc. É conhecido pelo desenvolvimento do idealismo transcendental, da filosofia moral e uma teoria sobre o desenvolvimento do sistema solar.
[8] http://www.suapesquisa.com/leonardo/- Acesso 06/09/2009
[9] Disponível no UMESP:AVA – Atividades Complementares – seu espaço de compartilhamento sócio-cultural.
[10] (1632-1704) JohnLockefoi filho de um advogado que lutou com os Parlamentaristas na Guerra Civil Inglesa. Foi aluno da famosa escola de Westminster e estudou filosofia, ciências naturais e medicina na Universidade de Oxford. Em 1665 foi enviado para Brandenburgo como secretário de legação e mais tarde para a França no serviço do Lord Shaftesbury onde conheceu as personalidades da cultura francesa do"grand siècle". Em 1683 refugiou-se na Holanda, onde participou no movimento político que levou Guilherme de Orange ao trono da Inglaterra. De volta à pátria dedicou-se aos estudos filosóficos, morais, políticos.
[11](1711-1776) David Hume nasceu na Escócia, em Edimburgo e pertencia a uma família abastada. Fez bons estudos no colégio de Edimburgo - um dos melhores da Escócia, em seguida transformado em universidade -, cujo professor de "filosofia", isto é, de física e ciências naturais, Stewart, era um cientista discípulo de Newton. Hume quis ser o Newton da psicologia. O subtítulo de seuTratado da Natureza Humanaé, nesse sentido, bastante esclarecedor: "Uma tentativa de introdução do método de raciocínio experimental nas ciências morais"
[12] Citação extraída da tele aula do dia 25/08/2009 – Prof. Daniel Pansarelli.
[13] Embora reconhecida a influência do pensamento Iluminista na sociedade de vários países entre eles os EUA e "Declaração de Independência" de 1776 a ênfase e a exemplificação no presente texto será do efeito do Iluminismo Francês.
[14] (1694-1778) Voltaire era o pseudônimo de François-Marie Arouet, importante escritor e filósofo nasceu e morreu na cidade de Paris. Membro de uma família nobre francesa estudou em colégio jesuíta onde aprendeu latim e grego. Influenciado por Isaac Newton e John Locke Escreveu diversos ensaios, romances, poemas e até peças de teatro. Defendia as liberdades civis (de expressão, religiosa e de associação) e foi um defensor do livre comércio, contra o controle do estado na economia.
[15] 1713-1784 Denis Diderot. Educado em colégio de jesuítas, recebe sólida instrução humanística. Em 1732 instala-se em Paris e ganha a vida como tradutor. Depois, dedica-se à direção editorial da Enciclopédia. Diderot, como iluminista, tinha fé no progresso contínuo e certeza de que a chave para decifrar os enigmas do mundo estava com a ciência. Ele manteve a opinião que a religião deve exercer apenas a tarefa de colocar regras para o comportamento prático do homem e a tarefa de eliminar as desigualdades seria da política e da arte enquanto na tecnologia residia o futuro econômico da sociedade.
[16] sendo um dos fatores fomentadores da Revolução Francesa.
[17] Nome dado por Voltaire aos Doutores Teológicos os Escolásticos da Idade Média.
[18] 1717-1783 Jean Le Rond d'Alembert. D'Alembert estudouteologianoCollège des Quatre Nationse formou-se em Direito, depois descobriu a sua vocação para aMatemáticae Física e fez importantes contribuições às pesquisas nos campos de mecânica e astronomia.Foi membro da Académie des Sciencese daAcadémie Française, de que foi eleito secretário perpétuo em 1752. Foi amigo e correspondia regularmente com renomados iluministas como Voltaire e Rousseau
[19] A publicação da Enciclopédia foi um importante passo na preparação ideológica para a Revolução Francesa
[20] Sinônimo do ser humano.
[21] (1712-1778) Jean-Jaques Rousseau – Nasceu em Genebra, Suíça e morreu na Ermeoville, França. Embora Suíço, sua filosofia influenciou a revolução francesa. Após perder os pais estudou numa rigorosa escola onde desenvolveu grande interesse na literatura a na música. Ainda jovem foi morar em Paris teve contatos com a elite intelectual da cidade. Ao convite do Diderot escreveu alguns verbetes para a Enciclopédia. Em 1762 suas obras foram consideradas uma afronta aos costumes morais e religiosos, ele começou a ser perseguida na França. Foi primeiramente para Neuchâtel, Suíça e em 1765, convidado por David Hume, foi morar na Inglaterra, voltando à França em 1767. Escreveu, além de estudos políticos incluindo sua obra principal Do Contrato Social, romances e ensaios sobre educação, religião e literatura.
[22] http://www.suapesquisa.com/biografias/rousseau.htm
Leia mais em: http://www.webartigos.com/articles/26628/1/FILOSOFIA-MODERNA/pagina1.html#ixzz1UGKzusC4
Português: Um breve relato de algumas das características principais da Filosofia Moderna e Iluminismo e a ótica desses do homem e da sociedade, questionando a realidade da afirmação que a modernidade de fato seja um trajeto da humanidade das trevas à luz. Palavras-chave: Modernidade, Iluminismo, razão, perfectibilidade, liberdade, homem, sociedade.
English: A brief description of some of the principal characteristics Modern Philosophy (modernity) and the Enlightenment period and their vision of man and society, questioning the reality of the affirmation that modernity demonstrates in fact the passage of humanity from darkness to light. Keywords: Modernity, enlightenment, reason, perfectibility, liberty, man, society.
1. Introdução:
Os primeiros pontos de luz nas trevas do pensar livre, provocados pela rendição da razão à soberania da fé durante a chamada idade média, são percebidos nas obras de pensadores como Copérnico[1] que, em sua defesa e interpretação da teoria heliocêntrica provocou uma verdadeira revolução. O deslocamento da terra, obra prima do Deus criador, do centro do universo significou que o homem, tido como o supremo ato da criação, deixou também de ocupar seu lugar de criatura sujeito aos caprichos desse Deus.Da mesma forma que Sócrates, Platão e Aristóteles antes deles os filósofos da modernidade chamaram para o âmbito da inteligência e capacidade humana a tarefa de pensar o mundo!
Os historiadores afirmam que o renascimento nos séculos XIV e XV marcado pela redescoberta da arte e literatura grega, o humanismo com sua ênfase no temporal e o consequente colocação do homem no centro da realidade, o repensar da política e estilo de governo marcado pelas obras do Maquiavel[2], o estudo científico e a Filosofia Moderna com sua ênfase do poder racional do homem, sinalizaram um retorno às raízes do pensamento racional e a morte do poder de controle do astrólogo, do mago e da igreja sobre o conhecimento. A sabedoria (o conhecimento) não é mais visto como algo sagrada e mística além da compreensão do homem comum; através do pensar, do raciocinar o homem é capaz de traçar seu próprio destino e caminhar rumo ao conhecimento.No presente texto serão apresentadas características dessa época da jornada humana, será que é de fato uma viagem das trevas à luz ou pode ser considerado o curso natural das coisas à luz do crescer do conhecimento humano?
2. Características gerais da filosofia moderna.
A filosofia da idade moderna nasceu graças aos trabalhos dos protagonistas do renascimento cultural e científico dos séculos XIV e XV entre eles Nicolau Copérnico, Leonardo da Vinci[3], e dos esforços de cientistas e pensadores como Galileu Galilei[4], Francis Bacon[5], René Descartes[6] e Emanuel Kant[7] nos séculos seguintes e tem entre suas características:-
a) O Racionalismo
A filosofia moderna propriamente falando iniciou-se com a teoria do conhecimento do René Descartes. Conhecido como pai da filosofia moderna, parece que ele levou muito a sério as palavras do Leonardo Da Vinci que diz "Quem pouca pensa, muito erra."! [8] Na Idade Média, na sociedade e na política a Palavra de Deus, considerada fonte única do conhecimento absoluto, foi interpretada pela igreja que dominava todos os aspectos da vida. O renascimento trouxe uma ênfase renovada no desenvolvimento científico e na capacidade humana e a necessidade de uma nova definição do ser humano e seu lugar no mundo. Na modernidade a chamada Idade da Razão então, surgiu à necessidade de redefinir os paradigmas, Descartes na declaração, "penso logo existo", descrito pelo Prof. Wesley Dourado na palestra "Aspectos Gerais da Filosofia Moderna" [9] sobre as como um "ponto arquemédico [...] a verdade inicial da qual se poderá constituir outras verdades" iniciou esse processo. Ele declara que o homem, ser racional por natureza, tem a capacidade de alcançar o conhecimento e mais que isso, sua existência é definida pelo ato de pensar.
Por entender ser possível chegar ao pleno conhecimento através do processo de pensamento racional, Descartes, idealizou um processo de dúvida metódica pelo qual através da rejeição (eliminação) de pensamentos ou ideias em que resida a menor dúvida o homem seria capaz de alcançar o conhecimento. As obras do Descartes formaram a base sobre qual os racionalistas desenvolveram seus processos.
b) O Empirismo
Quando Leonardo Da Vinci afirma que "A sabedoria é filha da experiência" (ABBAGNANO, §388) ele de fato resume em poucas palavras a crença dos empiristas ingleses cujo trabalho antecedeu por quase um século. Francis Bacon, John Locke[10], David Hume[11] e outros pensadores contra posição aos racionalistas do continente europeu desenvolveram e propagavam o raciocínio experimental, ou seja, a teoria de que o único caminho pelo qual o homem pode chegar ao conhecimento é através da experiência sensível (empírica). Marlene Chauí explica que Francis Bacon "propõe a instauração de um método, definido como modo seguro de 'aplicar a razão à experiência', isto é, de aplicar o pensamento lógico aos dados oferecidos pelo conhecimento sensível". (2006 – p.126)
Marlene Chauí afirma que para os empiristas o contato com o mundo externo através de um conjunto de sensações (através dos sentidos) leva a um processo de dedução que possibilita o conhecimento, "O conhecimento é obtido por soma e associação das sensações na percepção e tal soma e associação dependem da freqüência, da repetição e da sucessão dos estímulos externos e de nossos hábitos". (2006 – p.133) Um fator marcante da modernidade é a separação entre a Filosofia e a Ciência empírica. A ciência moderna, dependente nas experiências desenvolvidas em situações controladas, é empírica por natureza, contrastando-se com o pensamento do Aristóteles que percebia a Metafísica como ciência primeira.
c) A perfectibilidade.
Os precursores da filosofia moderna entre eles Leonardo da Vinci, Copérnico e Galileu acreditaram na perfectibilidade da natureza e defenderam a teoria da perfectibilidade da razão humana. Iniciou-se uma "busca por expressar, entender, explicar pela razão perfeita a natureza perfeita" [12] A ciência renascentista entendeu que pelo fato que Deus criou a natureza é possível conhecer Deus através da natureza e, portanto, produzir conhecimento.
Em sua epistemologia Immanuel Kant sintetizou as teorias do Descartes e os racionalistas continentais e Hume e os empiristas ingleses.
O processo de racionalização, característico da Modernidade, que começara com os renascentistas e com os cientistas, e passara por Descartes e pelos empiristas, podia agora, ser compreendido por Kant como um processo que representava o curso natural da evolução da sociedade. Finalmente o ser o humano estava apto para raciocinar sobre a própria razão. (UMESP 2009 – p.11)
Leonardo da Vinci via nas formas perfeitas da matemática uma maneira de ilustrar a perfeição do corpo humano (o homem vitruviano) e assim tomou o curso da teoria da perfectibilidade. Kant, por sua vez, via na possibilidade do homem chegar à perfeição um processo natural de desenvolvimento rumo ao esclarecimento (Aufklãrung), um processo evolução pela qual o homem atinge sua maioridade, processo que depende não de condições externas, mas, na vontade do homem, só não tem condições de alcançar essa independência os preguiçosos que escolhem permanecer na minoridade sob a tutela intelectual de terceiros.
Embora enfatizando e dando destaque alto à razão e a perfectibilidade humana, Kant e outros filósofos modernos não fizeram nenhuma ruptura dramática dos valores religiosos da idade média. Essa ruptura veio com os Iluministas franceses como Voltaire e Diderot que produziram obras laicas e seculares e, por vezes extremamente críticas da ação de igreja e sua influência opressiva na sociedade e interferência no governo.
3. Características gerais do iluminismo
Danilo Marcondes em sua Introdução à História da Filosofia oferece a seguinte síntese do Iluminismo[13], ou Século das Luzes um movimento do pensamento europeu (mais forte na França) concentrado principalmente nos últimas cinco décadas do século XVIII - "O Iluminismo valorizou o conhecimento como instrumento de libertação e progresso da humanidade, levando o homem à sua autonomia e a sociedade à democracia, ou seja, ao fim da opressão." (2007. p.210). Tomando de base suas palavras, o iluminismo como movimento dentro da modernidade, mantendo a ênfase na racionalidade, tem características próprias tais como:
a) Liberdade e o fim da opressão.
"a liberdade é condição para que a sociedade siga seu curso natural rumo ao Esclarecimento" (UMESP, 2009 – p.11). A liberdade no pensamento iluminista é a liberdade da qual Kant escreveu em sua resposta a pergunta O que é o Esclarecimento?
Esse esclarecimento não exige todavia nada mais que a liberdade; e mesmo a mais inofensiva de todas as liberdades, isto é, a de fazer um uso público de sua razão em todos os domínios [...] Em toda parte só se vê limitação da liberdade [...] o uso público da nossa razão deve a todo momento ser livre, e somente ele pode difundir o Esclarecimento entre os homens (KANT - p.3).
O pensamento iluminista influenciou os grupos responsáveis por movimentos de libertação no século XVIII, seu efeito foi sentido de maneira muito particular na França e foi um dos fatores catalisadores da Revolução Francesa. A burguesia, educado e gerador de riqueza se via presa sobre o jugo da aristocracia, da monarquia absolutista e da igreja dominantes desde a Idade Média, obrigada a pagar impostos para manter o luxo de poucos ansiava por uma sociedade livre. Achou aliados prontos lutar entre as massas paupérrimas de Paris se levantou em revolta contra a opressão pelo direito de ter liberdade de escolha sobre o curso da própria vida e uma voz no governo do país que ajudou a enriquecer. Voltaire[14] que criticou o absolutismo da monarquia, o poder da igreja e sua interferência no sistema político e influenciou muito o movimento da revolução acreditava que sem liberdade de pensamentos não existe liberdade.
b) Vulgarização da Filosofia e a literatura clandestina.
Autores do Iluminismo francês como Voltaire e Diderot[15], entenderam a vulgarização (popularização) da filosofia e do conhecimento essenciais para o desenvolvimento do homem e, portanto, da sociedade. O conhecimento e principalmente o pensamento iluminista permeavam a sociedade na forma de contos, poesias e ensaios. Os membros da burguesia (novo classe media) francesa que tinha acesso à educação se interessavam em se esclarecer e questionavam a o poder da aristocracia foram os principais leitores desse material.
As publicações, muitas escritas na clandestinidade sob pseudônimos, que espalhavam críticas à igreja, à aristocracia e incentivava o questionamento do absolutismo, foram consideradas subversivas[16], condenadas e, os autores caçados. Voltaire pertencia a uma família nobre fato que lhe dava acesso à aristocracia que criticava, mas, diferentemente a muitos de sua época ele acreditava que o esclarecimento levaria a própria aristocracia a desejar uma sociedade mais justa. Escritor popular, Voltaire escreveu um grande número de contos e usava bem esse recurso literário na divulgação de seu pensamento filosófico, o uso de tom irônico e polêmico atraiu os leitores e irritou as autoridades, a fim de evitar prisão (em comum com os filósofos clandestinos da época) publicou vários de suas obras anonimamente ou sob outros pseudônimos.
c) O Projeto dos Enciclopedistas
Como parte do processo de esclarecimento, os iluministas buscaram disponibilizar a população o conhecimento por tanto tempo controlado exclusivamente pelos doutores[17]. Com o alvo de reunir todo o conhecimento disponível e apresentar à sociedade uma versão perfeito e final, Diderot e d'Alembert[18] publicaram as obras dos melhores autores na "Enciclopédia ou Dicionário lógico das ciências, artes e ofícios" [19], nesse projeto ambicioso "Todo esforço fora realizado sem se perder de vista o objetivo de vulgarização do conhecimento" (UMESP – p.15).
4. A compreensão de ser humano e de sociedade no Iluminismo.
A disponibilização do conhecimento é indicativa do fato de que, no Iluminismo, o progresso (do ser humano e da sociedade) é determinado pela razão através da qual o homem[20] caminha rumo ao conhecimento e os descobertos científicos alcançados tanto pela aplicação da razão como pela experiência empírica. Esses fatos são resultados de, e exercem influencia sobre os conceitos do ser humano e da sociedade mantidos pelos filósofos modernos do Iluminismo.
Nas obras dos iluministas há um retorno aos conceitos da antiguidade e o renovo e repensar desses. Filósofos como Rousseau[21] por exemplo, reformularam os conceitos platônicos e aristotélicos da pólis grega, da participação de todos os cidadãos na política para criar a base da nova sociedade. Em sua obra principal, Do Contrato Social, Rousseau "Afirma [...] que a sociedade funciona como um pacto social, onde os indivíduos, organizados em sociedade, concedem alguns direitos ao Estado em troca de proteção e organização." [22] Tomando como base a afirmação do filosofo alguns das características principais da compreensão do ser humano e da sociedade nessa época são:
a) No homem a perfeição, a autonomia racional e a liberdade natural. .
De acordo com Danilo Marcondes uma das características fundamentais da filosofia do Iluminismo em relação ao homem é "o individualismo que se baseia na existência do indivíduo livre e autônomo, consistente e capaz de se autodeterminar" (2007- p.208). O homem que de acordo com Rousseau nasce bom é visto no como livre, autônomo, dono de si e capaz de se traçar seu próprio destino.
No primeiro capítulo Do Contrato Social, Rousseau declara "O homem nasce bom, a sociedade corrompe". A ideia da perfeição natural do homem apresenta um contraste ao conceito da perfectibilidade do homem de outros filósofos modernos que viam a humanidade num caminhar rumo (um progresso racional) à perfeição e um contraste maior aos iluministas franceses que na maioria afirmaram que o homem, embora, nasceu imperfeito, alcançou a perfeição com o advento das ciências e a abertura do conhecimento.
Em seguida Rousseau declara que "o homem nasce livre e por toda parte se encontra acorrentada". A liberdade natural do homem no pensamento do Rousseau, embora negada historicamente pela ação opressiva da igreja ou do estado, não pode ser retirada, as condições na qual o homem vive podem o acorrentar, mas não muda o fato que nasceu livre!
Nesse tema Marcondes escreve "O grande instrumento do Iluminismo é a consciência individual, autônoma em sua capacidade de conhecer o real" ele percebe em todo o processo do iluminismo a atribuição ao "conhecimento a capacidade de, precisamente, libertaro homem dos grilhões que lhe são impostos pela ignorância e pela superstição, tornando-as facilmente domináveis" afirmando que "O pressuposto básico do Iluminismo afirma, portanto, que todos os homens são dotados de uma espécie de luz natural, de uma racionalidade, uma capacidade natural de aprender, capaz de permitir que conheçam o real e ajam livre e adequadamente para a realização de seus fins." (2007 – p.207)
Kant no prefácio à 1ª Edição da Critica da razão pura [23] dá sua resposta a pergunta: O que impede o homem de obter o conhecimento que necessita?
Nossa época é propriamente a época da crítica, à qual tudo tem de submeter-se. A religião por sua santidade, e a legislação, por sua majestade, querem comumente esquivar-se dela. Mas desse modo suscitam justa suspeita contra si e não podem ter pretensões àquele respeito sem disfarce que a razão outorga àquilo que foi capaz de sustentar seu exame livre e público. (Kant CRP - Apud. Marcondes – 2007 p.207-208).
É justamente o "exame livre e público" do conhecimento disponível proposta pelos iluministas francesas que é garantem a liberdade e autonomia do homem rumo à perfeição e, portanto, a construção de uma sociedade baseada na liberdade e na igualdade.
b) Na sociedade, a moral, a igualdade, a liberdade e a autonomia individual.
Para Kant a sociedade composta de homens esclarecidos abre a possibilidade da criação de uma sociedade moral baseada no livre e irrestrito uso da razão na esfera publica "o uso público da nossa razão deve a todo momento ser livre, e somente ele pode difundir o Esclarecimento entre os homens" (Kant – p3). Para Kant, não pagar impostos para não concordar com os mesmos, ou agir de qualquer forma contra a ordem da sociedade pode ser considerada crime e, até sujeitar o homem a uma punição, mas, não lhe tire o direito de uma opinião particular (o uso da razão privada), mas isso deve ser restrita a manifestações eruditas em momento oportuno e não ser motivo de escândalo público. Da mesma forma um soldado pode não concordar com as razões que provocaram a batalha na qual esteja lutando, mas, no momento da batalha ele deve suspender temporariamente sua razão pessoal e obedecer a seu comandante em nome da razão pública (coletiva).
Enquanto Kant respondia que a humanidade vivia num a época de esclarecimento.
Quando se pergunta, portanto; vivemos atualmente numa época esclarecida? A resposta é: não, mas numa época de esclarecimento. Muito falta ainda para que os homens, no estado atual das coisas, tomados conjuntamente, estejam já num ponto em que possam estar em condições de se servir, em matéria de religião, com segurança e êxito, de seu próprio entendimento sem a tutela de outrem. Mas que desde já, o campo lhes esteja aberto para mover-se livremente, e que os obstáculos à generalização do Esclarecimento e à saída da minoridade que lhes é auto-imputável sejam cada vez menos numerosos, é o que temos signos evidentes para crer (Kant –p.7).
Rousseau e os iluministas franceses eram da opinião que a humanidade já possuía todo o conhecimento necessário para a constituição de uma sociedade perfeita. Junto com a noção da perfectibilidade do homem chegava à certeza do sucesso do desenvolvimento social e científico da sociedade. Embora partindo de pontos diferentes os iluministas franceses e Rousseau, visavam o mesmo resultado o homem livre vivendo numa sociedade livre da opressão.
Enquanto a maioria dos pensadores iluministas afirmou o homem esclarecido através da filosofia, da ciência, e da educação que foram dadas a tarefa de remover os obstáculos (fato confirmado nas obras de Voltaire e Diderot), pronto para transformar a sociedade, Kant falava de um processo de esclarecimento e Rousseau afirmava que a criança nasce boa, mas é corrompida pela sociedade, para ele a resposta para o aperfeiçoamento da sociedade, proposta no livro Emílio, é coisa do futuro é também um processo. A resposta é o isolamento das crianças para educação e a reinserção delas na sociedade na fase adulto, somente elas terão alcançado a perfeição necessária para mudar a sociedade.
5. Conclusão:
A filosofia moderna coloca a razão, sujeito a exigências da fé na idade média, em liberdade e por fim à dependência do ser humano possibilitando seu esclarecimento, colocando o conhecimento ao seu alcance. Representa (na Europa ocidental) uma retomada do pensamento da antiguidade e libertação do conhecimento do controle da igreja poderosa dispensadora da graça divina na idade média.
Embora represente um retorno do pensamento racional à supremacia, e, em particular um novo olhar ao pensamento platônico, a filosofia moderna em declarar que o conhecimento é acessível e alcançável a todos e não faz separação entre o mundo sensível das coisas e o mundo intangível das ideias. Na antiguidade Platão e Aristóteles visaram à formação de uma sociedade perfeita e feliz através da ação conjunta em prol do bem comum (ação política) na polis. Os habitantes da pólis foram considerados homens esclarecidos, esse esclarecimento foi reservado apenas os cidadãos gregos, não foram incluídos as mulheres, as classes trabalhadoras e muito menos os escravos. A filosofia moderna e o iluminismo não restringiam o conhecimento a uma elite social, religiosa ou intelectual, o colocaram ao alcance de todos que desejavam sair da minoridade, da dependência do tutelar de outros. A sociedade moderna (perfeita) seria o resultado do esclarecimento de todos.
Finalizei a introdução desse texto perguntando se essa época da jornada humana pode ser considerada de fato, como interpretada posteriormente pelos historiadores, uma viagem das trevas à luz ou deve ser interpretado como curso natural das coisas à luz do crescer do conhecimento humano?Estou da opinião que a interpretação retrospectiva é falível, porque sempre apresenta a coloração da opinião pessoal do interprete e a própria história nos mostra que, mesmo com todo o esclarecimento da idade moderna a sociedade está longe de romper todas as trevas da ignorância e da opressão. Mesmo não considerando a passagem um rompimento radical, é claro que os efeitos na caminhada do ser humano rumo ao conhecimento pleno foram grandes. Para mim, os pensadores modernos, os radicais iluministas fizeram sua parte da caminhada da humanidade, são responsáveis em grande parte pelo despertar política na Europa, o desenvolvimento científico e principalmente por disponibilizar a população em geral, conhecimento ora restrito aos eruditos.
Referências Bibliográficas:
1.ABBAGNANO, Nicola – História da Filosofia, vol. VI. Lisboa -1970: Editorial Presença. Versão eletrônica:
http://www.4shared.com/file/41469479/2b8af9b8/Nicola_Abbagnano_-_Historia da filosofia_06.html – Acesso em 31.08.2009.
2.CHAUÍ, Marilena Convite à Filosofia –Editora Ática -13ª ed. 2006.
3.Dados biográficos -
http://www.suapesquisa.com - acesso em 06/09/2009 e 13/09/2009
http://www.mundodosfilosofos.com.br - acesso em 06/09/2009
http://educacao.uol.com.br/biografias - acesso em 07/09/2009
http://www.e-escola.pt/personalidades - acesso em 07/09/2009
4.KANT, Immanuel – Resposta à pergunta: O que é o Esclarecimento? – Tradução – Luiz P. Rouanet. Disponível em http://br.geocities.com/eticaejustica/esclarecimento.pdf - Acesso em 06/09/2009
5.MARCONDES, Daniel – Iniciação à História da Filosofia – Rio de Janeiro – Editora Jorge Zahar 11º Ed. – 2007.
6.PANSARELLI, Daniel et. al. – Conhecimento e Metafísica: do Iluminismo à Atualidade: Leitura de Filosofia. – São Bernardo do Campo, UMESP – 2009.
[1] (1473-1543) Nicolau Copérnico nasceu em Torun, Polônia, estudou em Cracóvia, Bolhonha, Pádua e Ferrara laureando se em direto canônico em 1503. Obra mais importante De revolutionibus orbium coelestrim.
[2] Principalmente na obra O Príncipe.
[3] (1452-1519) Artista italiano, filho ilegítimo de Pedro da Vinci com uma camponesa chamada Caterina, Leonardo Da Vinci foi um dos mais importantes pintores doRenascimentoCultural e passou seus últimos anos na França numa casa cedida pelo rei Francisco I. É considerado um gênio, pois se mostrou um excelente anatomista, engenheiro, matemático músico, naturalista,arquiteto, inventor e escultor. Seus trabalhos e projetos científicos foram registrados, muitas vezes em código, em livros de anotações, e foi como artista que conseguiu o reconhecimento e o prestígio das pessoas de sua época.
[4] Grande Físico,Matemáticoe Astrônomo, Galileu Galilei nasceu na Itália no ano de 1564. Durante sua juventude ele escreveu obras sobreDantee Tasso.Descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da Inércia. Foi um dos principais representantes doRenascimentoCientífico dos séculos XVI e XVII.
[5] (1561-1626) Francisco Bacon o iniciador do Empirismo inglês nasceu numa família que servia a família real, eu pai sendo tutor chefe do jovem Edward VI. Bacon estudou em Cambridge e Paris e iniciou carreira como político e jurista no reinado da Elizabeth I. Sua posição filosófica apelou para a metafísica tradicional, grega e escolástica, aristotélica e tomista.
[6] (1596-1650) René Descartes nasceu em La Haye, França e estudou no então famoso colégio jesuita La Fleche. Decepcionou-se com a Filosofia Escolástica que não o levava a nenhuma verdade indiscutível "Não encontramos aí nenhuma coisa sobre a qual não se dispute". Só nas matemáticas encontrou as verdades absolutas: "As matemáticas agradavam-me sobretudo por causa da certeza e da evidência de seus raciocínios". Dedicou-se na aplicação do mesmo rigor ao pensamento racional e desenvolveu seu próprio método científico a ser aplicado para provar a veracidade dos fatos apresentados.
[7] (1724-1804) Filosofo alemão, Immanuel Kant, nasceu e morreu na cidade de Königsberg. Depois de um longo período como professor secundário, começou em 1755 a carreira universitária ensinando Ciências Naturais. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da universidade de Königsberg, levando uma vida dedicada aos estudos filosóficos. Realizou numerosos trabalhos sobre ciência, física, matemática, etc. É conhecido pelo desenvolvimento do idealismo transcendental, da filosofia moral e uma teoria sobre o desenvolvimento do sistema solar.
[8] http://www.suapesquisa.com/leonardo/- Acesso 06/09/2009
[9] Disponível no UMESP:AVA – Atividades Complementares – seu espaço de compartilhamento sócio-cultural.
[10] (1632-1704) JohnLockefoi filho de um advogado que lutou com os Parlamentaristas na Guerra Civil Inglesa. Foi aluno da famosa escola de Westminster e estudou filosofia, ciências naturais e medicina na Universidade de Oxford. Em 1665 foi enviado para Brandenburgo como secretário de legação e mais tarde para a França no serviço do Lord Shaftesbury onde conheceu as personalidades da cultura francesa do"grand siècle". Em 1683 refugiou-se na Holanda, onde participou no movimento político que levou Guilherme de Orange ao trono da Inglaterra. De volta à pátria dedicou-se aos estudos filosóficos, morais, políticos.
[11](1711-1776) David Hume nasceu na Escócia, em Edimburgo e pertencia a uma família abastada. Fez bons estudos no colégio de Edimburgo - um dos melhores da Escócia, em seguida transformado em universidade -, cujo professor de "filosofia", isto é, de física e ciências naturais, Stewart, era um cientista discípulo de Newton. Hume quis ser o Newton da psicologia. O subtítulo de seuTratado da Natureza Humanaé, nesse sentido, bastante esclarecedor: "Uma tentativa de introdução do método de raciocínio experimental nas ciências morais"
[12] Citação extraída da tele aula do dia 25/08/2009 – Prof. Daniel Pansarelli.
[13] Embora reconhecida a influência do pensamento Iluminista na sociedade de vários países entre eles os EUA e "Declaração de Independência" de 1776 a ênfase e a exemplificação no presente texto será do efeito do Iluminismo Francês.
[14] (1694-1778) Voltaire era o pseudônimo de François-Marie Arouet, importante escritor e filósofo nasceu e morreu na cidade de Paris. Membro de uma família nobre francesa estudou em colégio jesuíta onde aprendeu latim e grego. Influenciado por Isaac Newton e John Locke Escreveu diversos ensaios, romances, poemas e até peças de teatro. Defendia as liberdades civis (de expressão, religiosa e de associação) e foi um defensor do livre comércio, contra o controle do estado na economia.
[15] 1713-1784 Denis Diderot. Educado em colégio de jesuítas, recebe sólida instrução humanística. Em 1732 instala-se em Paris e ganha a vida como tradutor. Depois, dedica-se à direção editorial da Enciclopédia. Diderot, como iluminista, tinha fé no progresso contínuo e certeza de que a chave para decifrar os enigmas do mundo estava com a ciência. Ele manteve a opinião que a religião deve exercer apenas a tarefa de colocar regras para o comportamento prático do homem e a tarefa de eliminar as desigualdades seria da política e da arte enquanto na tecnologia residia o futuro econômico da sociedade.
[16] sendo um dos fatores fomentadores da Revolução Francesa.
[17] Nome dado por Voltaire aos Doutores Teológicos os Escolásticos da Idade Média.
[18] 1717-1783 Jean Le Rond d'Alembert. D'Alembert estudouteologianoCollège des Quatre Nationse formou-se em Direito, depois descobriu a sua vocação para aMatemáticae Física e fez importantes contribuições às pesquisas nos campos de mecânica e astronomia.Foi membro da Académie des Sciencese daAcadémie Française, de que foi eleito secretário perpétuo em 1752. Foi amigo e correspondia regularmente com renomados iluministas como Voltaire e Rousseau
[19] A publicação da Enciclopédia foi um importante passo na preparação ideológica para a Revolução Francesa
[20] Sinônimo do ser humano.
[21] (1712-1778) Jean-Jaques Rousseau – Nasceu em Genebra, Suíça e morreu na Ermeoville, França. Embora Suíço, sua filosofia influenciou a revolução francesa. Após perder os pais estudou numa rigorosa escola onde desenvolveu grande interesse na literatura a na música. Ainda jovem foi morar em Paris teve contatos com a elite intelectual da cidade. Ao convite do Diderot escreveu alguns verbetes para a Enciclopédia. Em 1762 suas obras foram consideradas uma afronta aos costumes morais e religiosos, ele começou a ser perseguida na França. Foi primeiramente para Neuchâtel, Suíça e em 1765, convidado por David Hume, foi morar na Inglaterra, voltando à França em 1767. Escreveu, além de estudos políticos incluindo sua obra principal Do Contrato Social, romances e ensaios sobre educação, religião e literatura.
[22] http://www.suapesquisa.com/biografias/rousseau.htm
Leia mais em: http://www.webartigos.com/articles/26628/1/FILOSOFIA-MODERNA/pagina1.html#ixzz1UGKzusC4
quarta-feira, 13 de julho de 2011
SINTESE DO TRABALHO DE FILOSOFIA JURIDICA
A Era do Direito de Norberto Bobbio
Tópico I: O estudo de Norberto Bobbio é designado na tarefa das ciências históricas e sociais. O problema filosófico do direito do homem, não pode ser dissociado do estudo dos problemas históricos, sociais, econômicos, psicológicos inerentes à sua realização. O problema dos fins não pode ser dissociado dos problemas do meio, isto significa que o filosofo não está sozinho.
Top II: A declaração Universal iniciou a fase de processo da conversão universal dos direitos naturais em direito positivo. Como se fosse para implementar medidas eficientes para sua garantia, o que caracterizam o nascimento do Estado Moderno. Teve o seguinte movimento dialético:
a) Começo da universalidade abstrata dos Direitos Naturais;
b) Particularidade concreta do Direito Positivo;
c) Universalidade abstrata e concreta do Direito Positivo e Universal.
Top III: No preâmbulo da declaração Universal, é indispensável que os Direitos do Homem sejam protegidos por normas jurídicas, se se quer evitar que o homem seja obrigado a recorrer, como última instancia as rebeliões contra a tirania e a opressão.
Top IV: Na Declaração Universal dos Direitos do Homem, é eco uma hipótese: “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, corroborando (confirmando) a idéia de Rousseau em O Contrato Social, que afirma a Declaração conserva apenas um eco (hipótese), porque os homens de fato, não nascem livres e nem iguais.
Top V: O segundo momento da historia da Declaração Universal dos Direitos do Homem, consiste na passagem da teoria à prática. Os Direitos do Homem ganhou em concreticidade, mas perde em universalidade, pois valem somente no âmbito dos Estados que o reconhecem.
Top VI: Quanto mais o Governo for autoritário em relação à liberdade dos seus cidadãos, tanto mais será libertatório em fase de autoridade internacional. As duas formas de controle social, a influência e o poder.
Top VII: O exemplo da Convenção européia ensina que as garantias internacionais são mais evoluídas que as garantias nacionais, mas nem por isso, menos necessárias. Encontramos mais hoje numa fase em que, com a tutela internacional dos Direitos do Homem além das dificuldades jurídicos-políticos, a tutela dos direitos do homem vai de encontro ao proprio conteúdo deste direito, o direito abstrato já não existe mais.
Tópico I: O estudo de Norberto Bobbio é designado na tarefa das ciências históricas e sociais. O problema filosófico do direito do homem, não pode ser dissociado do estudo dos problemas históricos, sociais, econômicos, psicológicos inerentes à sua realização. O problema dos fins não pode ser dissociado dos problemas do meio, isto significa que o filosofo não está sozinho.
Top II: A declaração Universal iniciou a fase de processo da conversão universal dos direitos naturais em direito positivo. Como se fosse para implementar medidas eficientes para sua garantia, o que caracterizam o nascimento do Estado Moderno. Teve o seguinte movimento dialético:
a) Começo da universalidade abstrata dos Direitos Naturais;
b) Particularidade concreta do Direito Positivo;
c) Universalidade abstrata e concreta do Direito Positivo e Universal.
Top III: No preâmbulo da declaração Universal, é indispensável que os Direitos do Homem sejam protegidos por normas jurídicas, se se quer evitar que o homem seja obrigado a recorrer, como última instancia as rebeliões contra a tirania e a opressão.
Top IV: Na Declaração Universal dos Direitos do Homem, é eco uma hipótese: “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, corroborando (confirmando) a idéia de Rousseau em O Contrato Social, que afirma a Declaração conserva apenas um eco (hipótese), porque os homens de fato, não nascem livres e nem iguais.
Top V: O segundo momento da historia da Declaração Universal dos Direitos do Homem, consiste na passagem da teoria à prática. Os Direitos do Homem ganhou em concreticidade, mas perde em universalidade, pois valem somente no âmbito dos Estados que o reconhecem.
Top VI: Quanto mais o Governo for autoritário em relação à liberdade dos seus cidadãos, tanto mais será libertatório em fase de autoridade internacional. As duas formas de controle social, a influência e o poder.
Top VII: O exemplo da Convenção européia ensina que as garantias internacionais são mais evoluídas que as garantias nacionais, mas nem por isso, menos necessárias. Encontramos mais hoje numa fase em que, com a tutela internacional dos Direitos do Homem além das dificuldades jurídicos-políticos, a tutela dos direitos do homem vai de encontro ao proprio conteúdo deste direito, o direito abstrato já não existe mais.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Sócrates e Platão: Precursores do Espiritismo
Sérgio Biagi Gregório
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Contexto Histórico. 3. Biografia: 3.1. Sócrates; 3.2. Platão. 4. Princípios Comparados (Doutrina): 4.1. Deus; 4.2. Alma; 4.3. Reencarnação. 5. Princípios Comparados (Moral): 5.1. Justiça; 5.2. Riqueza; 5.3. Máximas. 6. Codificação do Espiritismo. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.
1. INTRODUÇÃO
O objetivo central deste estudo é mostrar que a idéia espírita é tão velha quanto o próprio tempo. Já na Antigüidade podemos perceber o clarão dessas verdades eternas. Perguntaríamos: quem foi Sócrates? E Platão? Em que as idéias de Sócrates e Platão se assemelham às do Espiritismo?
2. CONTEXTO HISTÓRICO
A religião empresta as primeiras explicações a respeito da criação do homem e do cosmos: é clássico o relato bíblico sobre Adão e Eva, o primeiro casal a habitar a Terra. A China milenar, com sua filosofia de vida, discute normas de comportamento: no taoísmo há diversas noções sobre a arte de viver. A Grécia, palco da filosofia, elabora o pensamento: o logo e o ratio estão sempre em ação.
Antes de Sócrates, as indagações dos primeiros filósofos referem-se ao Cosmo. Questiona-se se o elemento primordial da vida é água, o ar, o fogo ou a Terra. A vinda de Sócrates muda o eixo da filosofia: o homem volta-se para dentro de si mesmo, através da maiêutica, do conhecimento de si mesmo.
Platão, discípulo de Sócrates, dá continuidade ao método socrático, aperfeiçoando-o. Depois de Platão surgiu Aristóteles. E assim poderíamos ir arrolando os diversos filósofos até chegarmos à época atual.
3. BIOGRAFIA
3.1. SÓCRATES
Nascimento/morte:
(470/399 a. C.)
Filiação:
mãe – Fenarete (parteira)
pai – Sofronisco (escultor)
Profissão:
(escultor?)
Vida familiar:
desposou Xantipa – três filhos (?)
Vida política:
tomou parte em três campanhas militares.
Caráter:
paciência, simplicidade e domínio de si próprio a toda a prova.
Ensinamento:
Ágora (praça pública) – missão divina de educar – daimon
Filosofia:
“Conhece-te a ti próprio”, apoiado pela maiêutica.
3.2. PLATÃO
Nascimento/morte:
(427/347 a C.)
Filiação:
pai: Ariston
mãe Perictione
pertencia a uma das mais nobres famílias atenienses
Nome:
Aristocles, mas devido a sua constituição física, recebeu o apelido de Platão, que em grego significa de ombros largos.
Trajeto:
discípulo de Sócrates. Depois da morte de seu mestre, empreendeu várias viagens. Retornou a Atenas, em 387 a. C., e fundou a Acadêmia.
Filosofia:
teoria das idéias, ou como se desenvolve o conhecimento.
Obras escritas:
A República, As Leis, O Político.
4. PRINCÍPIOS COMPARADOS (DOUTRINA)
4.1. DEUS
Para Sócrates, Deus é uma inteligência onipresente, onisciente, onipotente, absolutamente invisível ao homem. Deriva a prova da existência de Deus da finalidade do mundo. A ordem cósmica (o providencial de acontecer) é obra de um Espírito inteligente e não do acaso.
Para o Espiritismo, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas a coisas. Seus atributos são: eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso e soberanamente justo e bom. Para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da sua Criação. Não há efeito sem causa. Se o efeito é inteligente a causa também o é.
4.2. ALMA
Para Sócrates, a alma participa da natureza divina e é dada por Deus ao homem; a vida não depende do corpo, depende da alma; através da união da alma ao corpo, a alma se macula, e só reconquista sua pureza pela libertação do corpo.
Para Platão o homem é a união da alma e do corpo. A alma é a essência do corpo, e tem a natureza das idéias. Alma é o princípio do movimento e da vida, portanto imortal.
Classifica-a em:
Alma racional – alma-cabeça;
Alma passional – alma-peito;
Alma apetitiva – alma-ventre.
Para o Espiritismo, a alma é o Espírito encarnado. Para progredir no mundo material, une-se ao princípio vito-material do gérmen, e sofre todas as limitações que a matéria impõe ao Espírito imortal.
4.3. REENCARNAÇÃO
Para Platão, se a alma, quando penetra o corpo, não busca manter sua pureza, quando morre o corpo, não retornará ao mundo das idéias, mas estará sujeita à transmigração para outro corpo de homem ou animal (metempsicose), segundo as predileções que tenha manifestado.
Para o Espiritismo, a alma, quando não atinge sua evolução espiritual completa, entra no mundo espiritual denominado de erraticidade, e espera por uma nova oportunidade de voltar a este mundo. A reencarnação num corpo material é uma conseqüência da impureza da alma.
5. PRINCÍPIOS COMPARADOS (MORAL)
5.1. JUSTIÇA
Sócrates e Platão tratam constantemente da purificação da alma.
Platão nos diz que para cada parte da alma há uma virtude:
Alma racional – sabedoria;
Alma passional – coragem, fortaleza;
Alma apetitiva – temperança.
A justiça engloba todos esses tipos de alma – requisitos essenciais para a harmonia do ser e, por conseguinte, para a felicidade. Quem pratica uma injustiça deve ser punido e a pena, a expiação, é a purificação (catharsis), ou seja, a libertação do mal anterior.
Para o Espiritismo, a Lei de Amor, Justiça e Caridade é a mais importante das leis naturais, porque resume todas as demais e dá-lhe suporte. O Código da Vida Futura segundo o Espiritismo pode ser resumido em: arrepender-se, sofrer e reparar o mal (injustiça).
5.2. RIQUEZA
Para Sócrates e Platão, a riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza não ama nem a si, nem o que está em si. O apego aos bens materiais é perda da alma.
Para o Espiritismo, a riqueza é uma prova mais difícil do que a pobreza, porque pode provocar o apego aos bens materiais, e dificultar o acesso aos bens espirituais.
5.3. MÁXIMAS
Sócrates e Platão: “É pelos frutos que se reconhece a árvore”.
Espiritismo: encontra-se textualmente repetida nos Evangelhos;
Sócrates e Platão: “A virtude não se pode ensinar; ela vem por um dom de Deus àqueles que a possuem”.
Espiritismo: evoca os esforços para conquistá-la.
Sócrates e Platão: “É uma disposição natural, em cada um de nós, aperceber-se bem menos dos nossos defeitos que dos de outrem”.
Espiritismo: o Evangelho diz: “Vedes o argueiro no olho do vosso vizinho, e não vedes a trave que está no vosso”.
6. CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO
Sócrates, quando ensina nas praças públicas, lança as sementes da maioridade terrestre, o formoso ideal da fraternidade e da prática do bem.
Jesus, cinco séculos depois, vem ensinar o “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
Depois de Jesus tivemos os contributos de São Francisco de Assis, Santo Agostinho, Descartes, Kant, Espinosa, Barret, Crookes e outros.
Em 31 de março de 1848 originou-se um marco importante na história do Espiritismo: o Fenômeno de Hydesville.
Em 18/04/1857, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, Kardec fornece ao mundo o embrião da Doutrina dos Espíritos.
Nos 145 anos que se sucederam à codificação, muitas obras espíritas vieram à luz para elucidar os vários aspectos da Doutrina.
Esses pensadores e médiuns espíritas não só complementaram obra magnífica de Allan Kardec como também procuraram divulgá-la mais de acordo com as necessidades de compreensão dos homens da atualidade.
7. CONCLUSÃO
Uma idéia não vem à tona de uma hora para a outra. É preciso preparar os ânimos. Vimos que a idéia espírita já fora veiculada por várias personalidades. Chegara o momento em que tudo o que estava velado deveria vir à luz. É nesse momento que surge Allan kardec para nos organizar o edifício da fé cristã, corroída pelo dogmatismo religioso.
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BRUN, J. Sócrates. Lisboa, Dom Quixote, 1960. (Coleção Mestres do Passado, n.º 9).
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.
São Paulo, setembro de 1995
fonte: http://www.ceismael.com.br/filosofia/socrates-platao-precursores-espiritismo.htm
Sérgio Biagi Gregório
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Contexto Histórico. 3. Biografia: 3.1. Sócrates; 3.2. Platão. 4. Princípios Comparados (Doutrina): 4.1. Deus; 4.2. Alma; 4.3. Reencarnação. 5. Princípios Comparados (Moral): 5.1. Justiça; 5.2. Riqueza; 5.3. Máximas. 6. Codificação do Espiritismo. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.
1. INTRODUÇÃO
O objetivo central deste estudo é mostrar que a idéia espírita é tão velha quanto o próprio tempo. Já na Antigüidade podemos perceber o clarão dessas verdades eternas. Perguntaríamos: quem foi Sócrates? E Platão? Em que as idéias de Sócrates e Platão se assemelham às do Espiritismo?
2. CONTEXTO HISTÓRICO
A religião empresta as primeiras explicações a respeito da criação do homem e do cosmos: é clássico o relato bíblico sobre Adão e Eva, o primeiro casal a habitar a Terra. A China milenar, com sua filosofia de vida, discute normas de comportamento: no taoísmo há diversas noções sobre a arte de viver. A Grécia, palco da filosofia, elabora o pensamento: o logo e o ratio estão sempre em ação.
Antes de Sócrates, as indagações dos primeiros filósofos referem-se ao Cosmo. Questiona-se se o elemento primordial da vida é água, o ar, o fogo ou a Terra. A vinda de Sócrates muda o eixo da filosofia: o homem volta-se para dentro de si mesmo, através da maiêutica, do conhecimento de si mesmo.
Platão, discípulo de Sócrates, dá continuidade ao método socrático, aperfeiçoando-o. Depois de Platão surgiu Aristóteles. E assim poderíamos ir arrolando os diversos filósofos até chegarmos à época atual.
3. BIOGRAFIA
3.1. SÓCRATES
Nascimento/morte:
(470/399 a. C.)
Filiação:
mãe – Fenarete (parteira)
pai – Sofronisco (escultor)
Profissão:
(escultor?)
Vida familiar:
desposou Xantipa – três filhos (?)
Vida política:
tomou parte em três campanhas militares.
Caráter:
paciência, simplicidade e domínio de si próprio a toda a prova.
Ensinamento:
Ágora (praça pública) – missão divina de educar – daimon
Filosofia:
“Conhece-te a ti próprio”, apoiado pela maiêutica.
3.2. PLATÃO
Nascimento/morte:
(427/347 a C.)
Filiação:
pai: Ariston
mãe Perictione
pertencia a uma das mais nobres famílias atenienses
Nome:
Aristocles, mas devido a sua constituição física, recebeu o apelido de Platão, que em grego significa de ombros largos.
Trajeto:
discípulo de Sócrates. Depois da morte de seu mestre, empreendeu várias viagens. Retornou a Atenas, em 387 a. C., e fundou a Acadêmia.
Filosofia:
teoria das idéias, ou como se desenvolve o conhecimento.
Obras escritas:
A República, As Leis, O Político.
4. PRINCÍPIOS COMPARADOS (DOUTRINA)
4.1. DEUS
Para Sócrates, Deus é uma inteligência onipresente, onisciente, onipotente, absolutamente invisível ao homem. Deriva a prova da existência de Deus da finalidade do mundo. A ordem cósmica (o providencial de acontecer) é obra de um Espírito inteligente e não do acaso.
Para o Espiritismo, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas a coisas. Seus atributos são: eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso e soberanamente justo e bom. Para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da sua Criação. Não há efeito sem causa. Se o efeito é inteligente a causa também o é.
4.2. ALMA
Para Sócrates, a alma participa da natureza divina e é dada por Deus ao homem; a vida não depende do corpo, depende da alma; através da união da alma ao corpo, a alma se macula, e só reconquista sua pureza pela libertação do corpo.
Para Platão o homem é a união da alma e do corpo. A alma é a essência do corpo, e tem a natureza das idéias. Alma é o princípio do movimento e da vida, portanto imortal.
Classifica-a em:
Alma racional – alma-cabeça;
Alma passional – alma-peito;
Alma apetitiva – alma-ventre.
Para o Espiritismo, a alma é o Espírito encarnado. Para progredir no mundo material, une-se ao princípio vito-material do gérmen, e sofre todas as limitações que a matéria impõe ao Espírito imortal.
4.3. REENCARNAÇÃO
Para Platão, se a alma, quando penetra o corpo, não busca manter sua pureza, quando morre o corpo, não retornará ao mundo das idéias, mas estará sujeita à transmigração para outro corpo de homem ou animal (metempsicose), segundo as predileções que tenha manifestado.
Para o Espiritismo, a alma, quando não atinge sua evolução espiritual completa, entra no mundo espiritual denominado de erraticidade, e espera por uma nova oportunidade de voltar a este mundo. A reencarnação num corpo material é uma conseqüência da impureza da alma.
5. PRINCÍPIOS COMPARADOS (MORAL)
5.1. JUSTIÇA
Sócrates e Platão tratam constantemente da purificação da alma.
Platão nos diz que para cada parte da alma há uma virtude:
Alma racional – sabedoria;
Alma passional – coragem, fortaleza;
Alma apetitiva – temperança.
A justiça engloba todos esses tipos de alma – requisitos essenciais para a harmonia do ser e, por conseguinte, para a felicidade. Quem pratica uma injustiça deve ser punido e a pena, a expiação, é a purificação (catharsis), ou seja, a libertação do mal anterior.
Para o Espiritismo, a Lei de Amor, Justiça e Caridade é a mais importante das leis naturais, porque resume todas as demais e dá-lhe suporte. O Código da Vida Futura segundo o Espiritismo pode ser resumido em: arrepender-se, sofrer e reparar o mal (injustiça).
5.2. RIQUEZA
Para Sócrates e Platão, a riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza não ama nem a si, nem o que está em si. O apego aos bens materiais é perda da alma.
Para o Espiritismo, a riqueza é uma prova mais difícil do que a pobreza, porque pode provocar o apego aos bens materiais, e dificultar o acesso aos bens espirituais.
5.3. MÁXIMAS
Sócrates e Platão: “É pelos frutos que se reconhece a árvore”.
Espiritismo: encontra-se textualmente repetida nos Evangelhos;
Sócrates e Platão: “A virtude não se pode ensinar; ela vem por um dom de Deus àqueles que a possuem”.
Espiritismo: evoca os esforços para conquistá-la.
Sócrates e Platão: “É uma disposição natural, em cada um de nós, aperceber-se bem menos dos nossos defeitos que dos de outrem”.
Espiritismo: o Evangelho diz: “Vedes o argueiro no olho do vosso vizinho, e não vedes a trave que está no vosso”.
6. CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO
Sócrates, quando ensina nas praças públicas, lança as sementes da maioridade terrestre, o formoso ideal da fraternidade e da prática do bem.
Jesus, cinco séculos depois, vem ensinar o “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
Depois de Jesus tivemos os contributos de São Francisco de Assis, Santo Agostinho, Descartes, Kant, Espinosa, Barret, Crookes e outros.
Em 31 de março de 1848 originou-se um marco importante na história do Espiritismo: o Fenômeno de Hydesville.
Em 18/04/1857, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, Kardec fornece ao mundo o embrião da Doutrina dos Espíritos.
Nos 145 anos que se sucederam à codificação, muitas obras espíritas vieram à luz para elucidar os vários aspectos da Doutrina.
Esses pensadores e médiuns espíritas não só complementaram obra magnífica de Allan Kardec como também procuraram divulgá-la mais de acordo com as necessidades de compreensão dos homens da atualidade.
7. CONCLUSÃO
Uma idéia não vem à tona de uma hora para a outra. É preciso preparar os ânimos. Vimos que a idéia espírita já fora veiculada por várias personalidades. Chegara o momento em que tudo o que estava velado deveria vir à luz. É nesse momento que surge Allan kardec para nos organizar o edifício da fé cristã, corroída pelo dogmatismo religioso.
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BRUN, J. Sócrates. Lisboa, Dom Quixote, 1960. (Coleção Mestres do Passado, n.º 9).
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.
São Paulo, setembro de 1995
fonte: http://www.ceismael.com.br/filosofia/socrates-platao-precursores-espiritismo.htm
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A TOLERÂNCIA EM NOBERTO BOBBIO
Silvania Mendonça Almeida Margarida
A tolerância é uma forma de persuasão. A persuasão pode se tornar de forma legislativa e costumeira a confirmação dos direitos do homem. A persuasão são o convencimento e a capacidade de que o homem é capaz de exercer plena democracia na sociedade atual. Ligar-se a ela e fazer valer os seus direitos históricos, sociais, psicológicos e tecnológicos. Os direitos do homem, segundo Bobbio, os juristas colocam o problema do direito a partir do ponto de vista do direito positivo enquanto os filósofos colocam a questão a partir da racionalidade e do aspecto crítico. O convencimento à tolerância pode ser positivo ou negativo. Intrinsecamente ligada aos direitos humanos, Norberto Bobbio traz à baila toda a problematização do Direito ao longo da História. A pessoa consegue se identificar a partir do sentimento de pertencer a uma organização social, num tempo e espaço identificáveis, ao que se pode acrescentar à necessidade de conferir um sentido de continuidade histórica, de locus, relacionado à necessidade de restabelecer um sistema estável. Ser “Tolerante” com o fortalecimento da identidade individual e coletiva, permite a ‘religação social’, para a qual são necessárias a peculiaridade cultural do grupo e a identificação pessoal. A partir da identidade social entendida como um conjunto de marcas sociais, a tolerância e intolerância posicionam uma pessoa em um mundo social determinado, fazendo deste indivíduo o cidadão que irá enfrentar os deslizes da intolerância ou os matizes da verdade. Para Kant, estudioso citado por Bobbio, a tolerância é a verdade. E a tolerância é amena, frutífera e eficaz. Traz modificações nos contextos sociais e aumenta o direito do homem. A intolerância será “ou a erva daninha” ou a diretriz positiva quando algo fere o direito na suas situações sociais mais inusitadas. O homem é que determinará a tolerância positiva ou a intolerância positiva. O homem também será ou não efetivado frente à tolerância negativa ou intolerância negativa. Dependerá, exclusivamente, do exemplo fático e histórico.
É a intolerância que conduz à tolerância, quando numa sociedade se difundem as ideias de que aquelas formas de discriminação não são corretas. A luta acaba, portanto, por criar uma consciência social sobre a justiça dos direitos alheios.
Ao nos referirmos em exemplos, podemos elucidar um excelente exemplo da tolerância positiva, qual seja: o sistema de governo democrático, de onde o poder emana do povo e volta ao povo. Sempre os povos terão em suas mãos o poder de liberdade da sua nação. Estamos aqui citando a verdadeira democracia e a cidadania, a individualidade de cada ser pensante no exercício do poder de liberdade, igualdade e fraternidade entre povos. A tolerância negativa, por outro lado, tem exemplos escusos e obscuros, e podemos destacar a educação, e sua depreciação dos livros didáticos e os erros gramaticais. Esta é uma tolerância negativa, quando professores aceitam o erro do livro didático no Brasil e não se debelam. Sobre a intolerância positiva, é impossível tolerar erros médicos em práticas escabrosas que tem a ver com a saúde e com bem-estar do cidadão. Sabemos que devemos ser intolerantes aos erros médicos e a outros erros que acontecem no dia a dia, pois podem ferir o verdadeiro sentido da cidadania. Politicagem é outro exemplo. Para a intolerância negativa, elucidamos a falta de moral de empresários que investem em empresas fantasmas para burlar o fisco e sonegar impostos. Ou seja, tudo que seja reprovável torna-se uma intolerância negativa e perigosa às manifestações do pensamento humano.
Ao se posicionar a história dos direitos do homem fatos são marcantes para Norberto Bobbio. Ao se postular sobre a tolerância, Bobbio afirma que a tolerância é o ato de convivência e aceitação de opiniões diversas nas diferenças culturais, religiosas e políticas. A intolerância deriva da convicção que o indivíduo tem de possuir preconceitos, opinião ou conjunto de opiniões que são acolhidas de modo acrítico passivo pela tradição, pelo costume e por uma autoridade cujos ditames são aceitos sem discussão. Ao se falar em tolerância positiva, Bobbio acredita que essa respeita as diferenças existentes entre homens, havendo sempre uma questão de intimidade e verdade. Para a tolerância negativa e não que traz preceitos benéficos para a humanidade, há sempre o interesse mesquinho e a conivência. Falar em intolerância negativa é ser condescendente com erro humano, ao contrário da intolerância positiva que não é condescendente com o erro do homem.
A convicção íntima, para Norberto Bobbio é a melhor forma de exercer a tolerância, pois ela se torna um bem elevado, socialmente útil, politicamente correto, trazendo sempre consigo o dever ético. Não é cética, respeita a verdade, não é indiferente e respeita a verdade do outro. A verdade não pode ser captada por um intelecto sem luz e não poderá triunfar sem as forças externas dos direitos fundamentais.
Quem crê na bondade da tolerância o faz não apenas porque constata a irredutibilidade das crenças e opiniões, aceitando a fecundidade das manifestações sociais do pensamento humano. Ser tolerante é a melhor forma de liberdade, mas uma liberdade sem protecionismo e que é capaz de se expandir e se isentar dos perigos. Não deve, segundo Bobbio, responder ao intolerante com intolerância, pois é algo reprovável e eticamente pobre.
Em outro trabalho direcionado ao Professor Jeovani, com base em Bobbio, conseguimos fluir o seguinte pensamento:
Por fim, há uma razão moral em favor da tolerância: o respeito à pessoa alheia. Trata-se de um agitação e conflitos entre ensejo teórico e ensejo prático, ou melhor dizendo, entre a razão prática e a razão teórica, entre aquilo que se deve fazer e aquilo que se deve crer. Ao lado dessas doutrinas que consideram a tolerância do ponto de vista da razão prática, há outras que a consideram do ponto de vista teórico, segundo as quais a verdade só pode ser alcançada através da síntese de verdades parciais. Sustentam ainda que a verdade não é una e que a tolerância é uma necessidade inerente à própria natureza da verdade.
O autor ampara que a tolerância sempre é tolerância em face de alguma coisa e exclusão de outra. O ponto central da tolerância é a consideração do direito de conviver igualmente, do direito ao erro de boa-fé. Aduz, ainda, que um intolerante perseguido e excluído jamais se tornará um liberal (MARGARIDA, Silvânia et al, Trabalho Acadêmico, FAMIG)
A questão da fundamentação filosófica dos direitos do homem não pode ser dissociada dos problemas históricos, sociais, econômicos, psicológicos que envolvem a tolerância/intolerância. Bobbio conclui que entre a teoria e a prática da tolerância em uma direção e do outro lado o espírito laico, apreendido como a formação de uma mentalidade, há sempre uma razão que une todos os homens.
Referência
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. 8.ed. São Paulo: Campus Elsevier. 2004.
A tolerância é uma forma de persuasão. A persuasão pode se tornar de forma legislativa e costumeira a confirmação dos direitos do homem. A persuasão são o convencimento e a capacidade de que o homem é capaz de exercer plena democracia na sociedade atual. Ligar-se a ela e fazer valer os seus direitos históricos, sociais, psicológicos e tecnológicos. Os direitos do homem, segundo Bobbio, os juristas colocam o problema do direito a partir do ponto de vista do direito positivo enquanto os filósofos colocam a questão a partir da racionalidade e do aspecto crítico. O convencimento à tolerância pode ser positivo ou negativo. Intrinsecamente ligada aos direitos humanos, Norberto Bobbio traz à baila toda a problematização do Direito ao longo da História. A pessoa consegue se identificar a partir do sentimento de pertencer a uma organização social, num tempo e espaço identificáveis, ao que se pode acrescentar à necessidade de conferir um sentido de continuidade histórica, de locus, relacionado à necessidade de restabelecer um sistema estável. Ser “Tolerante” com o fortalecimento da identidade individual e coletiva, permite a ‘religação social’, para a qual são necessárias a peculiaridade cultural do grupo e a identificação pessoal. A partir da identidade social entendida como um conjunto de marcas sociais, a tolerância e intolerância posicionam uma pessoa em um mundo social determinado, fazendo deste indivíduo o cidadão que irá enfrentar os deslizes da intolerância ou os matizes da verdade. Para Kant, estudioso citado por Bobbio, a tolerância é a verdade. E a tolerância é amena, frutífera e eficaz. Traz modificações nos contextos sociais e aumenta o direito do homem. A intolerância será “ou a erva daninha” ou a diretriz positiva quando algo fere o direito na suas situações sociais mais inusitadas. O homem é que determinará a tolerância positiva ou a intolerância positiva. O homem também será ou não efetivado frente à tolerância negativa ou intolerância negativa. Dependerá, exclusivamente, do exemplo fático e histórico.
É a intolerância que conduz à tolerância, quando numa sociedade se difundem as ideias de que aquelas formas de discriminação não são corretas. A luta acaba, portanto, por criar uma consciência social sobre a justiça dos direitos alheios.
Ao nos referirmos em exemplos, podemos elucidar um excelente exemplo da tolerância positiva, qual seja: o sistema de governo democrático, de onde o poder emana do povo e volta ao povo. Sempre os povos terão em suas mãos o poder de liberdade da sua nação. Estamos aqui citando a verdadeira democracia e a cidadania, a individualidade de cada ser pensante no exercício do poder de liberdade, igualdade e fraternidade entre povos. A tolerância negativa, por outro lado, tem exemplos escusos e obscuros, e podemos destacar a educação, e sua depreciação dos livros didáticos e os erros gramaticais. Esta é uma tolerância negativa, quando professores aceitam o erro do livro didático no Brasil e não se debelam. Sobre a intolerância positiva, é impossível tolerar erros médicos em práticas escabrosas que tem a ver com a saúde e com bem-estar do cidadão. Sabemos que devemos ser intolerantes aos erros médicos e a outros erros que acontecem no dia a dia, pois podem ferir o verdadeiro sentido da cidadania. Politicagem é outro exemplo. Para a intolerância negativa, elucidamos a falta de moral de empresários que investem em empresas fantasmas para burlar o fisco e sonegar impostos. Ou seja, tudo que seja reprovável torna-se uma intolerância negativa e perigosa às manifestações do pensamento humano.
Ao se posicionar a história dos direitos do homem fatos são marcantes para Norberto Bobbio. Ao se postular sobre a tolerância, Bobbio afirma que a tolerância é o ato de convivência e aceitação de opiniões diversas nas diferenças culturais, religiosas e políticas. A intolerância deriva da convicção que o indivíduo tem de possuir preconceitos, opinião ou conjunto de opiniões que são acolhidas de modo acrítico passivo pela tradição, pelo costume e por uma autoridade cujos ditames são aceitos sem discussão. Ao se falar em tolerância positiva, Bobbio acredita que essa respeita as diferenças existentes entre homens, havendo sempre uma questão de intimidade e verdade. Para a tolerância negativa e não que traz preceitos benéficos para a humanidade, há sempre o interesse mesquinho e a conivência. Falar em intolerância negativa é ser condescendente com erro humano, ao contrário da intolerância positiva que não é condescendente com o erro do homem.
A convicção íntima, para Norberto Bobbio é a melhor forma de exercer a tolerância, pois ela se torna um bem elevado, socialmente útil, politicamente correto, trazendo sempre consigo o dever ético. Não é cética, respeita a verdade, não é indiferente e respeita a verdade do outro. A verdade não pode ser captada por um intelecto sem luz e não poderá triunfar sem as forças externas dos direitos fundamentais.
Quem crê na bondade da tolerância o faz não apenas porque constata a irredutibilidade das crenças e opiniões, aceitando a fecundidade das manifestações sociais do pensamento humano. Ser tolerante é a melhor forma de liberdade, mas uma liberdade sem protecionismo e que é capaz de se expandir e se isentar dos perigos. Não deve, segundo Bobbio, responder ao intolerante com intolerância, pois é algo reprovável e eticamente pobre.
Em outro trabalho direcionado ao Professor Jeovani, com base em Bobbio, conseguimos fluir o seguinte pensamento:
Por fim, há uma razão moral em favor da tolerância: o respeito à pessoa alheia. Trata-se de um agitação e conflitos entre ensejo teórico e ensejo prático, ou melhor dizendo, entre a razão prática e a razão teórica, entre aquilo que se deve fazer e aquilo que se deve crer. Ao lado dessas doutrinas que consideram a tolerância do ponto de vista da razão prática, há outras que a consideram do ponto de vista teórico, segundo as quais a verdade só pode ser alcançada através da síntese de verdades parciais. Sustentam ainda que a verdade não é una e que a tolerância é uma necessidade inerente à própria natureza da verdade.
O autor ampara que a tolerância sempre é tolerância em face de alguma coisa e exclusão de outra. O ponto central da tolerância é a consideração do direito de conviver igualmente, do direito ao erro de boa-fé. Aduz, ainda, que um intolerante perseguido e excluído jamais se tornará um liberal (MARGARIDA, Silvânia et al, Trabalho Acadêmico, FAMIG)
A questão da fundamentação filosófica dos direitos do homem não pode ser dissociada dos problemas históricos, sociais, econômicos, psicológicos que envolvem a tolerância/intolerância. Bobbio conclui que entre a teoria e a prática da tolerância em uma direção e do outro lado o espírito laico, apreendido como a formação de uma mentalidade, há sempre uma razão que une todos os homens.
Referência
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. 8.ed. São Paulo: Campus Elsevier. 2004.
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